O som da festa — a música, as risadas, o brilho feliz — desintegrou-se em um instante, sugado por um vácuo de horror silencioso. O ar, antes quente e doce com o cheiro de jasmim noturno, ficou gélido e pesado.
Matheus não se moveu. Não respirou. O nome "Luna" ficou pairando entre eles, um fantasma materializado que arrancou toda a cor do seu rosto, toda a luz dos seus olhos. Por uma fração de segundo eterna, ele foi apenas um vulto, um homem cujos alicerces internos haviam desmoronado de um só golpe.
Então, o instinto — não o de segurança, mas o de pai — explodiu.
Ele fechou a distância entre ele e Valentina em um passo. Suas mãos, tão capazes de violência extrema, subiram e se fecharam em torno dos ombros dela, não para machucar, mas para ancorar, para sacudir a verdade dali. O toque era firme, quase brutal em sua urgência, mas não era raiva dirigida a ela. Era terror transformado em ação.
— Quando? — a palavra saiu como um estalo, seca e cortante. — Onde? Como, Valentina?COMO?
Seus olhos, verdes e sempre tão calculistas, queimavam agora com um fogo cego e desesperado, vasculhando o rosto pálido dela em busca de detalhes, de tempo, de esperança.
Valentina tremia incontrolavelmente, as lágrimas finalmente rompendo e escorrendo por seu rosto impecável, arruinando a maquiagem.
— Hoje… há duas horas. No Parque das Águas. Com a Marta, a babá. — Ela engasgou, tentando colocar ordem nos pensamentos. — Dois homens. Roupas comuns… boné. Eles se aproximaram da Marta, mostraram… mostraram uma foto. Uma foto sua, Matheus. Disseram… disseram para a Marta passar uma mensagem.
Ela fechou os olhos, a dor da memória fresca a contorcendo.
— Disseram: 'Seu pai tem algo que não é dele. Ele vai entender a mensagem.' E então… então pegaram a Luna pela mão. Ela estava assustada, mas quieta. Eles a levaram. A Marta está em choque no hospital, a apagaram.
Carla, ao lado de Olívia, ouvia cada palavra como se fossem agulhas de gelo sendo cravadas em sua pele. Uma foto. Uma mensagem. Nenhum pedido de resgate. Isso não era um sequestro por dinheiro. Era pessoal. Era uma flecha envenenada direcionada com precisão cirúrgica.
A compreensão atingiu Matheus como um raio, iluminando a escuridão de seu pavor com a luz crua e horrível da certeza. Seus dedos se apertaram nos ombros de Valentina por um segundo antes que ele a soltasse, recuando um passo.
— Rafael — o nome saiu em um sopro rouco, carregado de um ódio tão profundo que parecia envenenar o ar ao seu redor. — É o Rafael.
Ele não precisava explicar. A conexão era óbvia, lógica e aterradora. O médico que ele estava desmantelando, o homem cuja vida ele arruinara metodicamente, não havia apenas caído. Ele havia cavado fundo nas sombras do passado de Matheus e encontrado o único ponto onde sua armadura não existia: sua filha.
Ian, que permanecera em silêncio, observando a cena com os olhos de um estrategista, mudou completamente. A postura relaxada do anfitrião desapareceu. Os ombros se endireitaram, o rosto se fechou em uma máscara de frieza resoluta. Ele tocou levemente no braço de Olívia — um gesto de despedida do momento de felicidade — e deu um passo à frente.
— Está acabado — Ian anunciou, sua voz não era alta, mas carregava uma autoridade que silenciou até o vento nas árvores. — A festa acabou.
Ele não esperou por respostas. Puxou o telefone do bolso e discou um número rápido.
— Alô? Sim. É Ian Moretti. Ative o protocolo 'Guardião'. Sim, agora. Reúna a equipe tática na minha localização. Todos os recursos de rastreamento, todas as conexões, tudo que temos. Não, não vou explicar. É uma emergência de nível máximo. — Desligou.
Ele então se virou para Matheus, que parecia estar à beira de um abismo, sua respiração ofegante, os olhos fixos em um ponto distante, mas vendo apenas pesadelos.
— Matheus — Ian chamou, seu tom era firme, um cabo de aço jogado para um homem se afogando. — Você não faz isso sozinho. Você nunca faria isso sozinho.

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