Minha Esposa:
Já passei minha agenda completa do mês para o Arsen. Por que você não me disse a sua? Quero falar com você. É tão difícil assim falar com o próprio marido? Você está tão ocupado quanto o presidente ou algo assim?
Daven encarou a tela do celular, impassível. Não respondeu. A única coisa que fez foi alterar o nome do contato da esposa: Vanessa. Apenas isso. Simples. Afinal, ele duvidava que ela o tivesse salvo com algum apelido carinhoso, não depois de, na outra noite, ter confundido sua ligação com alguém chamado David. David? Será que o nome dele aparecia apenas como “Daven” no telefone dela?
A lembrança arrancou um sorriso amargo. Era óbvio demais, ele tinha sido o único tentando sustentar aquele casamento. Ainda assim, Daven não estava pronto para decidir o rumo das coisas agora que tudo começava a ruir.
Na última semana, Vanessa vinha tentando contato sem parar. Mas ele não respondeu nenhuma vez. E por que responderia? Para se explicar? Não. Ele não devia isso a ela.
O som do teclado eletrônico e o clique suave da porta chamaram sua atenção. Ele ergueu o olhar no momento em que Arsen entrou na sala, onde Daven estava sentado. A mesa à sua frente estava coberta de documentos, papéis da reunião final entre as equipes de planejamento e finanças. Se tudo desse certo, conseguiriam relançar um projeto que o prefeito de SunCity havia considerado praticamente perdido.
— Seu café, senhor Daven. — Disse Arsen, entregando a xícara ainda quente.
Hoje, Arsen sentia um raro alívio. Daven não havia saído do apartamento. Pelo menos, fisicamente. Mentalmente, ele já estava completamente imerso nos arquivos à sua frente.
Ainda assim... Havia algo que não saía de sua cabeça nos últimos dias: Josh.
Aquela obsessão recente estava começando a incomodar. Daven vinha observando o garoto de perto. Monitorando. Esperando. Como se buscasse qualquer detalhe, qualquer pista que pudesse responder às dúvidas que o consumiam.
Mesmo sem ir até a escola, havia sempre alguém posicionado nas proximidades. Em pontos estratégicos. Relatórios constantes. Quem estava com Josh, quem o acompanhava, cada movimento, Daven sabia de tudo.
Arsen pensou que aquilo já tivesse passado.
Claramente, não.
— Que relatório você tem para mim hoje? — Perguntou Daven, ainda olhando os papéis, sem levantar a cabeça.
Arsen abriu o tablet.
— Houve movimentação no projeto da família Miller. Aquele que havia sido cancelado.
Daven finalmente desviou o olhar dos documentos e o fixou em Arsen. O projeto de reforma do antigo prédio no centro, quase concluído antes de ser interrompido. O mesmo que o levava a reuniões frequentes com o prefeito.
— Motivo oficial? — Perguntou.
— Pressão dos moradores. — Respondeu Arsen, entregando o relatório. — Houve protestos alegando que a reforma destruiria a estrutura original e a identidade arquitetônica da região.
Daven analisou os dados. Nomes conhecidos. Audiências públicas prolongadas. Processos. Pedidos de compensação detalhados.
Mas o que realmente chamou sua atenção não foi o custo.
Foi outra coisa.
— Eles insistiram por um tempo... — Murmurou.
— Sim! — Confirmou Arsen. — O projeto continuou por cerca de um mês após as primeiras ameaças. O que é comum. A família Miller até tentou renovar as licenças com apoio do prefeito.
— E depois desistiram. — Concluiu Daven, erguendo o olhar. — Não acha isso... Estranho?
Arsen permaneceu em silêncio.
— Talvez alguém não queira que esse projeto avance. — Continuou Daven. — Ou talvez não queira que os Miller se estabeleçam em SunCity.
— Faz sentido. — Respondeu Arsen.
— Continue. Quero provas. E garanta que ela não perceba nada.
— Sim, senhor.
Arsen ouviu apenas partes da conversa, mas foi o suficiente. Daven continuava investigando a própria esposa. Reunindo provas.
Se fosse com ele... Já teria tomado uma decisão.
Será que Daven pensava o mesmo?
— Que horas é a reunião com planejamento e finanças? — Perguntou Daven, de repente.
— Em uma hora, senhor.
Ele assentiu e voltou aos papéis. Mas o celular tocou novamente.
Kalina.
Daven franziu a testa. Ela quase nunca ligava.
— O que foi, Kalina?
— Daven... É a mamãe. Ela está doente. — Disse a voz do outro lado, trêmula. Ao fundo, ele reconheceu outro choro. Uma de suas irmãs.
— O que aconteceu? — Sua voz endureceu. — O que houve com ela?
— Ela está muito mal. Você pode voltar para casa? Agora?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta
Tô super indignada cm esse livro. Nossa cm pode o cara tratou ela cm um ND . Aí ela encontrou um homem pra dar TD o q o outro não fez. E aí a autora decidiu matar o homem q a ajudou a se sentir viva e colocar novamente o daven . Como pode o chese morrer pra q daven fosse feliz novamente . Nossa eu nka li um livro e sentir tanta repulsa. Pq o devendo mereceu felicidade enquanto q foi suporte e afeto teve q morrer. Nossa tô frustrada de verdd...