Althea já havia suspirado tantas vezes que perdera a conta. Cada respiração era uma tentativa de acalmar o nervosismo que revirava seu estômago. Ela continuava conferindo a própria aparência, mais uma vez, garantindo que tudo estivesse perfeito. O vestido combinava com as camisas polo que Chase e Josh usavam, um detalhe que fazia os três parecerem propositalmente coordenados. Como uma família de verdade.
Sobre a mesa da sala, havia um pequeno presente que ela preparara para levar à casa de Chase. Ele disse que não precisava levar nada, mas ela não conseguiria aparecer de mãos vazias. Aquilo simplesmente... Não parecia certo.
— Pronta? — Perguntou Chase, com um sorriso aberto. Seus olhos percorreram Althea de cima a baixo, admirando-a. Ela estava impecável. Ainda assim, ele não deixou de perceber a tensão em sua postura. — Está nervosa?
Althea bufou, irritada.
— Você ainda pergunta isso?
Chase riu e se aproximou, segurando a mão dela com suavidade. O toque era firme, quente.
— E por que você estaria nervosa? Minha mãe está esperando por isso a semana inteira. Ela mal pode esperar para te ver... E cozinhar com você.
Althea sustentou o olhar dele, buscando segurança.
— Espero que ela esteja falando sério.
— Tio Chase! — Chamou Josh, animado. — Eu e o Sunny já estamos prontos!
Chase riu.
— Viu só? Até o Josh está ansioso para ir lá em casa e brincar com a Emma, o Jack e o Ethan. Você não precisa ficar assim. Só seja leve... Como ele.
Fácil falar.
Althea tentou se apegar àquilo, mas o passado insistia em se infiltrar, roubando sua tranquilidade. Mesmo com o jantar anterior tendo sido caloroso e sincero, ela não conseguia esquecer como havia sido com a família Callister. Frio. Humilhante.
Memórias assim não desaparecem.
E o futuro?
Ninguém podia prever.
E se tudo mudasse de repente? E se aquela aceitação se transformasse em rejeição? E se, mais uma vez, ela e Josh fossem atingidos por algo que não podiam controlar?
Esses pensamentos não pertenciam ao presente.
Mas o trauma... Ainda estava ali.
— Vamos! — Disse Chase, estendendo a mão novamente.
A mesma mão que sempre esteve ali.
Firme.
Confiável.
A mão que ela já havia recusado, acreditando que ele merecia alguém melhor.
Mas ele nunca desistiu.
“O que eu sinto é meu. Se eu te digo o que sinto, é apenas para que você saiba. E se eu tiver que carregar sozinho esse amor não correspondido, então a dor também será só minha.”
Althea manteve o olhar nele.
Atrás, Josh e Sunny já entravam no carro, conversando animadamente. A alegria do filho foi o empurrão que ela precisava.
Talvez...
Talvez ela pudesse tentar acreditar.
— Vamos. Não devemos deixar sua mãe esperando. — Disse, finalmente aceitando a mão dele.
O sorriso de Chase se abriu ainda mais. A confiança que ele vinha construindo, pouco a pouco, começava a dar resultado.
Ela ainda não o amava da mesma forma.
Mas, pela primeira vez, estava se permitindo abrir.
E, mais importante...
Já não vivia presa ao passado.
O que teve com Daven um dia pode ter sido amor.
Mas a dor foi maior.
Grande demais.
E, com o tempo, aquilo se apagou.
Se ela realmente tivesse desejado o amor dele... Teria apresentado Josh a ele há muito tempo.
Mas não fez.
Em vez disso, escolheu uma vida nova.

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