— Senhor, aqui está o seu café.
A atendente colocou a xícara com cuidado sobre a mesa, evitando derramar algo sobre os documentos espalhados diante de Daven. Mas, mais do que a bagunça, era a expressão dele que a deixava cautelosa. Havia algo pesado no ar, ele parecia intimidante naquela noite.
Daven não respondeu. Apenas lançou um olhar breve para o café. Quem agradeceu foi Arsen, sentado à sua frente.
Assim que a atendente se afastou, Arsen soltou o ar lentamente. Ele sabia exatamente o motivo daquele clima. Não podia fingir que não tinha visto os relatórios de vigilância sobre Vanessa em SunCity. E tudo apontava para uma única conclusão: A esposa de Daven possivelmente o estava traindo.
E isso não era tudo.
Havia também Kate Callister. Apesar de o médico ter dito que não era nada crítico, ela ainda não havia recobrado a consciência. E, como se já não bastasse, Daven também havia recebido uma ligação de Theo Blake. Arsen não sabia o que foi dito, mas, fosse o que fosse, havia piorado ainda mais o humor dele.
— Nenhuma notícia do Chris Miller? — Perguntou Daven, por fim, sem tirar os olhos dos documentos à sua frente, planos relacionados ao projeto de Frankfurt. O progresso finalmente começava a avançar, e ele já deveria estar planejando a viagem. Ainda assim, tudo parecia mais pesado do que o normal.
Além da condição da mãe, ele ainda não havia encontrado nenhuma brecha no mistério envolvendo o garoto. Quem quer que estivesse por trás disso, fazia questão de manter tudo escondido.
Arsen balançou a cabeça.
— Ainda nada, senhor. Já tentamos todas as formas de contato. A última informação é que ele está na Nova Zelândia, mas deve retornar dentro de uma semana.
— Quando voltar, quero uma reunião. Presencial.
— Sim, senhor Daven.
Daven soltou um suspiro longo e fechou os olhos por um instante. Empurrou os papéis de lado e tomou um gole do café. Seria mentira dizer que sua mente não estava um caos.
A doença repentina da mãe. A traição da esposa, algo que ele ainda não decidiu como lidar. Pendências surgindo de todos os lados. O reencontro inesperado com Althea. Josh.
E... A ligação de Theo Blake.
— Arsen! — Disse, agora com a voz mais firme — Levante todos os projetos do Grupo Callister que envolvem a família Blake. Quero saber exatamente onde meu sogro está envolvido e até que ponto.
Arsen franziu o cenho. Aquilo era novo.
— E mais... — Continuou Daven — Se decidirmos sair dessas parcerias, quero um relatório completo. Multas, prejuízos, impactos. Tudo.
— Mas, senhor—
— Você tem um mês. — Cortou Daven, seco. — E prepare a melhor equipe jurídica. Vou dar entrada no divórcio. Está na hora da minha querida esposa ser notificada.
Arsen arregalou os olhos.
— O senhor... Vai mesmo pedir o divórcio?
Daven lançou-lhe um olhar direto.
— Você realmente acha que eu vou aceitar isso? Depois de tudo o que ela fez?
Arsen ficou em silêncio. Ninguém, em sã consciência, aceitaria traição. Ainda mais depois de tudo que Daven havia oferecido a Vanessa, estabilidade, conforto, liberdade. E essa foi a forma de retribuição?
Se estivesse no lugar dele, Arsen já teria tomado essa decisão há muito tempo.
— Entendido, senhor Daven. Vou encontrar o melhor advogado para o caso.

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