— Por que você me segurou? — Perguntou Vanessa, irritada, puxando o braço que James ainda segurava desde que chegaram ao carro. — Estava tentando me impedir de falar com o Daven de propósito?
— Eu jamais faria isso, senhorita Vanessa. — Respondeu James, com calma. — Por favor, entre no carro. É melhor se acalmar lá dentro.
— Como eu vou me acalmar se tudo o que eu quero é falar com ele? — Retrucou ela, exaltada. Mas, ao notar o corte no canto do lábio de James, claramente causado por ela, sua raiva vacilou por um instante. — Pegue o kit de primeiros socorros. Deixa eu cuidar disso.
— Podemos fazer isso dentro do carro, senhorita.
Ele tinha razão. Ainda irritada, Vanessa entrou no carro. Logo em seguida, James lhe entregou o kit. Com um suspiro, ela o abriu e começou a tratar o ferimento com cuidado.
— Deve estar doendo, não é? — Perguntou, agora em tom mais suave, carregado de culpa. — Me desculpa.
— Não precisa se preocupar comigo. — Respondeu James, com um leve sorriso. — Acho que o senhor Daven não quis evitar a senhora. Apenas... Não era o momento certo.
Vanessa franziu o cenho.
— E quando vai ser o momento certo? — Rebateu, devolvendo o kit com mais força do que o necessário. — Ultimamente, ele tem me evitado... Como se estivesse lidando com algo que eu nem faço ideia do que seja.
Ela cruzou os braços, tensa.
James guardou o kit em silêncio.
— De acordo com sua agenda, a senhora tem uma reunião para discutir o conceito das fotos da revista Voguy. Pediram que chegasse uma hora antes. Acho melhor irmos direto para lá.
Mas Vanessa continuava encarando-o.
— O que você acha que o Daven está fazendo enquanto me ignora?
James deu partida no carro, programando o trajeto no GPS, fingindo não ouvir a pergunta.
— Não vai responder? — Insistiu ela. — Você sabe de alguma coisa?
— Como eu saberia o que o senhor Daven está fazendo, se passo quase todo o meu tempo com a senhora? — Respondeu ele, com um leve sorriso. — Quer que eu descubra?
Vanessa recostou-se no banco, irritada, ainda com os braços cruzados. O carro deixou o estacionamento, mas um alerta sonoro interrompeu o silêncio.
— Por favor, coloque o cinto de segurança, senhorita Vanessa.
— Ah... Desculpa. — Murmurou ela, puxando o cinto rapidamente. O aviso cessou assim que o travou. — Essa ideia de investigar o que o Daven anda fazendo... Gostei. Faça o melhor que puder, James.
— Sim, senhorita Vanessa. — Respondeu ele, em tom neutro. Com o canto do olho, observou a bela mulher ao seu lado. No fundo, detestava vê-la sendo tratada daquela forma por Daven. Não seria melhor que simplesmente se separassem? Não restava mais nada ali.
O relacionamento dos dois parecia apenas aparência. Uma encenação. Nada parecido com um casal de verdade.
E ainda assim... Será que Vanessa via tudo o que ele fazia por ela apenas como algo conveniente? Em nenhum momento ela parava para pensar no que ele sentia? Claro... Ele também nunca havia dito nada.
De repente, o celular de Vanessa tocou alto, quebrando o fluxo de pensamentos. Ela o tirou da bolsa rapidamente, esperando, torcendo que fosse Daven. Mas não era. Era o pai.
Ela hesitou por um segundo.
— Devo atender? — Perguntou, olhando para James.
— Quem é?
— Meu pai.
James ficou em silêncio. E aquele silêncio já dizia o suficiente.
O telefone continuava tocando. Vanessa olhou para a tela por mais alguns segundos antes de atender.

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