— Mãe! — Chamou Josh, descendo as escadas meio correndo, com um enorme caderno de desenho debaixo de um braço e uma caixa de giz de cera debaixo do outro. — O que você está fazendo para o jantar?
Ele se aproximou por trás dela enquanto Althea ainda temperava o frango, depositando um beijo rápido em sua bochecha, como se esperasse que aquilo, por si só, já fosse suficiente para arrancar a resposta.
— O seu favorito: frango assado. — Respondeu ela, com um pequeno sorriso.
— Ah, ótimo. Faz suco de laranja também, tá?
Althea assentiu de imediato.
— Faz para mim também, mamãe! — Gritou Grace da mesa de jantar, onde esperava impaciente.
— Sim, meu amor. Vou fazer o seu também.
— Tia Lydia fez pudim de frutas. Quem quer? — Lydia ergueu um recipiente gelado que acabou de tirar da geladeira.
— Eu! Eu! — Grace levantou a mão, praticamente pulando.
— Você não está esquecendo de mim, né, tia Lydia? — Josh se aproximou, os olhos brilhando ao ver o pudim. — Eu conseguiria comer tudo, juro.
Sem querer ficar para trás, Grace correu para ficar ao lado de Josh, só para garantir que Lydia soubesse que ela também merecia pudim.
A casa estava incomumente animada naquela noite.
O aroma de frango com alecrim e purê de batatas cremoso preenchia a cozinha, enquanto o brilho amarelo e aconchegante das luminárias suspensas envolvia tudo em um conforto silencioso.
Depois de se divertir por um instante com as travessuras dos filhos, Althea voltou a preparar o jantar.
Perto dali, Grace separava os gizes de cera com Josh, que parecia incrivelmente orgulhoso ao exibir o castelo que havia colorido, erguido contra um oceano escuro e um céu de meia-noite.
Grace vinha resmungando havia vários minutos, implorando para que ele a ensinasse.
— Eu fiz isso para minha tarefa de artes, Grace. Quero tirar nota máxima com o Sr. Paulo. — Disse Josh, erguendo a página com um sorriso enorme. — Quer que eu te ensine?
— Claro que quero.
Grace inflou as bochechas.
— Mas você está me ignorando desde mais cedo.
Josh riu e bagunçou os cabelos dela com carinho.
— Eu não estava te ignorando. Só estava garantindo que minha tarefa ficasse bonita. E você estava me ajudando mesmo assim.
— Eu estava?
Josh assentiu.
— Desta vez, vou fazer uma para você. Você colore um lado, e eu coloro o outro. Combinado?
— Sim! Eu quero!
Os lábios de Althea se suavizaram em um sorriso terno enquanto ouvia a conversa dos filhos.
De verdade, nada em sua vida lhe trazia mais conforto do que as risadas de Josh e Grace. Mesmo que às vezes discutissem por causa da diferença de idade, Josh frequentemente admitia que ver a irmãzinha irritada com ele parecia uma forma própria de carinho.
— Difícil acreditar que Josh já cresceu tanto, não é?
O comentário de Lydia fez Althea olhar para ela. A amiga estava ocupada espremendo laranjas para o suco que tomariam depois.
— Sim... Eu nunca imaginei que conseguiria permanecer ao lado deles por tanto tempo.
— Vamos continuar aqui por eles, Althea. Talvez... Até eles se casarem um dia?
Althea soltou uma risada.
— Talvez até eles terem filhos?
Lydia caiu na gargalhada.
— Você tem razão. Assim eu posso me gabar dos meus netos para minha equipe nas Bahamas.
— Seria melhor se você tivesse um bebê seu. Poderia se gabar dele com orgulho, em vez de esperar por Josh, que não vai ter filhos tão cedo.
Lydia fez bico.
— Você não tem graça.

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