Lágrimas escorreram pelas bochechas de Althea antes mesmo que ela percebesse. Normalmente, teria revirado os olhos diante das palavras doces do marido. Mas, desta vez, a mesma saudade também vinha a dominando. Houve noites em que ela não conseguia parar de pensar em como Daven estava passando os dias dentro da promotoria.
— Eu também senti sua falta. — Murmurou. — Fiquei com medo. Mas, vendo você assim... Fico aliviada.
Daven acariciou gentilmente seus cabelos.
— Estarei em casa em breve. Eu prometo.
— Eu acredito em você. — Respondeu Althea suavemente.
Felicia virou o rosto, dando privacidade aos dois. Enxugou rapidamente o canto do olho e respirou fundo. Seu coração estava comovido, mas ela sabia que todos precisavam permanecer fortes pela família.
Do outro lado da porta, a risada suave de Grace pôde ser ouvida novamente, misturada à voz de Josh enquanto ele falava sobre os treinos. E, por um momento, em meio a uma tempestade que ainda não havia passado, o calor daquela família permaneceu firme, sendo justamente a razão pela qual todos continuavam resistindo.
Mas, infelizmente... Uma batida na porta despedaçou o momento.
O advogado principal de Daven entrou, com a expressão séria.
— Desculpem interromper. — Disse. — Há um desenvolvimento importante.
Daven se endireitou imediatamente.
— O que foi?
— Primeiro... — Disse o advogado. — Descobrimos provas fortes apontando para uma grande manipulação. E, segundo... O procurador chefe quer vê-lo agora.
Althea prendeu a respiração. Do lado de fora, Josh e Felicia trocaram um olhar.
— Agora? — Perguntou Daven.
— O que faria o procurador chefe me chamar pessoalmente? — Daven sussurrou ao advogado principal.
A convocação em si era inquietante. Por que o chefe da promotoria lidaria diretamente com esse assunto?
— Não sei. — Respondeu Richard, soltando uma longa respiração. — Mas uma coisa é certa.
Ele continuou em voz baixa, sem olhar para Daven:
— O que quer que aconteça depois disso, não diga nada até eu lhe dar um sinal.
— Há algo errado? — Perguntou Daven.
O corredor que levava ao gabinete do procurador chefe parecia mais silencioso que o normal. Os passos de Daven ecoavam contra o piso de mármore, acompanhando Richard, que caminhava ao lado dele. O rosto do advogado estava tenso, mas seus olhos permaneciam afiados, calculistas.
Richard parou brevemente diante de uma porta grande e escura.
— É mais do que algo errado. — Disse. — Isso passou dos limites. Os promotores parecem confiantes demais.
— Como se já soubessem que eu vou cair? — Daven deu um sorriso fraco. — Previsão impressionante. — Acrescentou friamente.
— Exatamente.
Richard olhou para ele mais uma vez.
— Espero que você não reaja a nada durante o interrogatório.
Daven assentiu, entendendo.

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