— Eu preciso pensar, Nicole, agora apenas não... Por favor, vá de carro para o hotel. Vou ligar para Benjamin me buscar.
Ele estava me afastando. A culpa não foi minha, mas mesmo assim ele estava me afastando. Maldita Caroline.
Outro soluço sai de meus lábios, quebrando a quietude silenciosa da mansão. Ethan se vira, não dando ouvidos ao meu choro, mas seus punhos estão cerrados e sua postura tensa. Deve estar sendo muito difícil.
Levanto um último olhar para Caroline e Seus lábios se curvaram para baixo. Ela não estava feliz com isso. Mas eu pensei que ela se sentiria vitoriosa. Aparentemente, não é como ela se sente.
Deixo cair meu rosto em minhas mãos e saio de lá. Uso meu celular para pedir um Uber.
Andei pela cidade pelo que pareceram horas com o motorista me olhando pelo retrovisor com pena cada vez que olhava a minha aparência que não escondia o fato de eu ter chorado muito. Olhos inchados e vermelhos, nariz fungando e fisionomia de cachorro chutado. Ethan estava magoado comigo, eu não o culpava totalmente, eu só estava com medo e queria que ele me escutasse.
Depois de muitas voltas já não havia mais lágrimas para chorar. Ethan preferiu ficar com Caroline. Aquela mulher me empurrou ao meu limite. Eu a odiava, embora soubesse que ela só estava defendendo o primo, ainda que quisesse transar com ele depois.
A noite começava a cair. Olhei meu celular e havia vinte e cinco chamadas perdidas de Ethan, de Vivian, de Alice e algumas de um número desconhecido. Desliguei o aparelho, eu lidaria com todos quando estivesse preparada. Estava cansada de me sentir pressionada.
O motorista de aplicativo, seguiu pela rua residencial de mansões da minha antiga casa. As casas estavam lindas com enfeites natalinos. A neve, finalmente começando a diminuir permitia que a lua se projetasse ainda mais linda no céu. A casa que procurava, ficava no final da rua, era a única que não estava enfeitada. Pedi o motorista que parasse o carro em frente. Digitei o código e passei pelos enormes portões a caminho da residência. Não pensei que o código ainda seria o mesmo, mas era. A data do meu aniversário.
O que eu estava fazendo aqui?
Eu deveria voltar.
Tinha sido demais por um dia, mas alguma coisa dentro do meu coração me empurrou para lá.
Eu estava morrendo de medo, mas já não havia lugar para mentira. Eu precisava me desprender.
Caminhei lentamente por trás da casa, não queria interromper se ela estivesse com visitas, um namorado, ou trabalhando e exausta.
Deus! A quem eu estava enganando? Estava tremendo de adrenalina, com medo da rejeição. Eu fui dura com ela. Fui ruim quando ela só queria se desculpar.
Cheguei onde dava para ver uma mesa enorme de jantar com doze cadeiras, mas apenas uma ocupada. Minha mãe. Sentada sozinha. Ela comia lentamente, apreciando seu vinho, seus olhos eram tristes, cansados. Eu enxerguei a mim mesma. Ela era minha versão mais velha, mais exausta. As rugas apareciam quando ela mastigava. Céus, ela mataria se alguém lhe dissesse isso.
Mas quem? Não havia ninguém, só eu e Nicholas, e a expulsei da minha vida, da minha casa. Uma dor irradiou no meu peito, uma tristeza enorme. Eu queria ir falar com ela, mas não tinha coragem. Não depois de tudo que eu disse. Quando olhei, ela não estava mais à mesa. Senti meu coração apertar de novo, deveríamos estar lá com ela. Então, jantaríamos todos juntos e poderíamos montar uma grande árvore de natal. Como uma família. O pensamento veio rápido, e quando menos imaginei, estava fazendo meu caminho de volta. A realidade não era tão fácil.
— Nicole.
Um chamado. Não um grito. Um chamado suave, mas firme.
Virei-me e encontrei Madeleine. Ela vestia um roupão de dormir, cabelos soltos, descalça. De repente, não houve mais medo ou qualquer sentimento que me impedisse de ir até a ela. Eu dei um passo, depois outro. Quando dei por mim, estava correndo, minha mãe vindo em minha direção. Minha mãe. Encontramo-nos no meio do caminho com um deleite. Ela me pegou em seus braços e me abraçou forte.
— E-e-e-eu sinto muito... — chorei alto.
— Eu também, meu amor. Eu também sinto muito. — Sua resposta é suave, abafada pelo seu choro, quase inaudível, quase como se ela estivesse com medo de falar comigo.
— M-m-m-me perdoa, mãe, eu estava morrendo de medo e você não estava lá. — Eu aperto minha mandíbula contra a dor que se alastra dentro de mim
— Eu sinto muito, meu amor. Eu sinto muito. Eu nunca mais vou deixá-la, nunca mais. — Sua voz tremeu um pouco quando ela me abraçou mais forte
— Deus Nicole, você está tremendo. — Espio rapidamente a minha roupa e percebo que esqueci meu casaco no chalé de Luck. Enrijeço imediatamente me lembrando que eu tive uma merda de dia e engulo o nó na garganta.
— Eu tenho tanta coisa para te contar mãe. — Abaixo meu rosto em minhas palmas e as esfrego.
— Então vamos logo querida. A Neve está sim e você precisa se aquecer.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...