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O bebê do bilionário romance Capítulo 66

Era exatamente assim que você ficava com seu pai. Não tinha um dia que eu acordava e você não estava lá. Às vezes te pegava de madrugada e a carregava de volta.

Apesar de eu estar sonolenta, havia escutado bem o que ela disse. Então, levantei a cabeça que estava apoiada na cama de Nicholas, esfregando meus olhos para espantar o sono.

— Você era tão pequena, mas sempre foi amorosa, era o nosso grande orgulho.

— Oi, mãe — disse, abrindo um sorriso.

Ela sorriu de volta, caminhou até o outro lado da cama hospitalar de Nicholas e segurou a sua mão.

— Incrível como, dormindo, ele se parece tanto com você. O médico disse que ele deve ter alta em breve. Você não quer ir para casa descansar um pouco? Te fará bem. Eu posso ficar com ele.

— Mãe, eu agradeço, mas prefiro ficar aqui. Ele parece tão sensível.

— Nicole, ele está melhor, até se saiu bem nos exercícios de respiração na bola. E você também precisa descansar. Como irá pensar claramente se não sai daqui? Volte a casa, tome um banho demorado, vá almoçar ou simplesmente tome um café. E então, volte. Tome seu tempo, ficaremos bem. Além do mais, seu amigo Will está aqui o tempo todo. Se ele acordar e precisar de qualquer coisa, nós vamos providenciar. Nada vai acontecer a Nicholas.

Meu corpo gritava por descanso, cama macia e qualquer comida que não fosse hospitalar. Ethan esteve há tempo me pedindo para ir para hotel descansar e mandando comida de um restaurante local para mim. Só que eu não achava justo dormir no hotel com Nicholas no hospital, mesmo que fosse Ethan ou Vivian e até minha mãe com ele. Eu também não achava justo ter uma refeição de primeira enquanto meu filho comia comida hospitalar, mesmo sabendo que era o melhor para a sua recuperação. Mas minhas costas doíam de tanto ficar sentada, e eu definitivamente precisava de um banho decente.

—Você é uma ótima mãe, Nicole, bem melhor do que eu fui para você. Mas precisa se cuidar.

— Verdade. Acho que vou. Prometo não demorar.

— Não, querida. Leve o tempo necessário. Ethan queria que você voltasse ao hotel, ele disse que te espera na recepção.

— Ok. — Peguei minha bolsa, pronta para ir. — Madeleine. Tem algo que você disse logo que chegou, e é algo que não me recordo. Sempre me lembro de estar sozinha com meu pai e de ser deixada para trás para que você pudesse cuidar dos negócios. Sinto muito, mas todas as lembranças que eu tenho de você são assim — disse, sem conseguir encará-la. — Todas são infelizes.

— Eu não fui um exemplo de mãe — ela respondeu baixo, fazendo-me envergonhar do que tinha dito. —Minha mãe também não foi, e acho que minha avó também não. Fomos todas assim. Trabalhamos, fundamos com muito esforço e, no final, construímos um império. Eu nunca fui aquela que diria eu te amo, era basicamente uma palavra inexistente no meu vocabulário. Isso até eu conhecer seu pai. Ele despertava o melhor de mim e me fazia querer enxergar o melhor em tudo. Passados alguns anos, veio você. Nós planejamos tanto, mas eu estava morrendo de medo. Seu pai não, ele estava radiante, dizia que tudo ficaria bem, que sempre estaria comigo — ela pausou, como se fosse doloroso lembrar. — E que nunca nos deixaria... Então, quando eu te vi pela primeira vez, algo novamente despertou em mim. O instinto de amor mais puro, de proteção, de quase possessão, de querer cuidar. Éramos felizes, completos. Mesmo tendo que viajar quase semanalmente, e mesmo que meus horários de trabalho fossem maiores que o de seu pai, nós sempre arrumávamos um jeito. Eu só tinha uma certeza: que com vocês ao meu lado, tudo ficaria bem. Sim, posso dizer que, na maioria das vezes, eu estive cuidado da empresa. Estive lá o tempo todo. Eu, seu pai e você também. Apesar de tudo, tínhamos planos, sabe? —Madeleine limpou a garganta, sua voz parecia querer falhar. — Então, compramos a nossa casa apontando para um local qualquer do mapa, Viveríamos lá, seria o nosso lar, ou era isso que era para ser. Seu pai sonhava com o dia que eu largaria tudo. Te daríamos mais dois irmãos — ela riu. — Mas nós não confiávamos em ninguém para assumir a empresa. Juntos, conseguimos triplicar o seu valor de mercado. Não era só dinheiro, era luta e suor, então concordamos, dessa forma, que a manteríamos na família, continuaríamos o império com você. Mas havia um problema: faltavam muitos anos, e nós queríamos viver como uma família. Nós éramos jovens e apaixonados, e o tempo parecia correr lentamente; tivemos muitas brigas por isso. Então, mesmo relutante, conseguimos um cliente que compraria a empresa. Os papéis estavam quase todos assinados quando seu pai adoeceu. Eu estive tão furiosa, sabe? Eu esperei tanto, evitei tanto e, no final, ele seria tirado de mim! Simples. Leucemia em estágio avançado. Ele deixaria a mim e à minha menina sozinhas. Ele havia me prometido. — Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e ela rapidamente limpou. — Ele me fez prometer que passaria por todo o tratamento na casa que sempre quisemos ter. Então, eu estive no quarto ao lado, furiosa com ele, com o mundo, com Deus. Por te ver sofrer, por vê-lo sofrer. Por estar de mãos atadas. Acredite, durante todo aquele tempo eu estive lá. Algumas vezes com você, outras sozinha. Não sei por que não se lembra. Talvez sua mente tenha criado um jeito de achar um culpado para a situação, já que parecia muito injusto ele ser tirado de nós assim.

“Estive com você no quarto no dia que ele morreu, e te carreguei de lá.

Capítulo 66 Sabor cereja 1

Capítulo 66 Sabor cereja 2

Capítulo 66 Sabor cereja 3

No dia seguinte à morte do meu pai, estávamos fazendo o retorno com o carro pelo cemitério quando um grito torturante de dor cortou o silêncio do local. Os soluços eram altos, olhei para o túmulo do meu pai e vi uma pessoa ajoelhada lá. Tive a impressão de conhecê-la. Madeleine. Mas meus olhos estavam cansados de tanto chorar, e acabei adormecendo.

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