Capítulo 18
Sofia Kim
Assim que dobrei o corredor da presidência, encontrei Yangiang parada na porta da minha nova sala. Vestia um vestido caro, carregava uma bolsa de grife e tinha aquele sorriso convencido de sempre.
Parei por um segundo na porta. Não esperava vê-la ali nunca mais, já que Richard disse que ela não voltaria.
Coloquei a bolsa sobre a mesa devagar, sem pressa, e a encarei.
— O que faz nessa sala?
Yangiang ergueu o olhar com um sorriso falso que não chegava aos olhos.
— Ah, bom dia. Esqueci um documento por aqui outro dia.
— Então some. Ou vai ficar no meu lugar como minha assistente?
A audácia dela era impressionante.
— Não — respondeu calmamente. — Eu também não sabia que era a esposa do CEO. Na minha cabeça se fosse a esposa dele, nem aqui estaria trabalhando. Mas ele me disse.
Sentei na cadeira em frente à mesa. Então Richard disse a ela quem eu era...
— Na verdade, eu estava me perguntando a mesma coisa sobre você. Achei que Richard tivesse te transferido para longe. Porque não foi?
Ela piscou, claramente surpresa com a minha tranquilidade. Eu nem havia levantado a voz. Continuei organizando os poucos papéis que tinha na mesa, como se a presença dela fosse irrelevante.
— Não… eu só vou voltar pra empresa do senhor Brown a noite — disse ela, recuperando o sorriso.
— Deveria voltar é pra China — respondi, sem nem olhar para ela, folheando uma pasta.
— O quê?
Levantei os olhos e sorri, leve e debochado enquanto mexia no meu enfeite da mesa.
— Se precisar de passagem eu dou um jeito pra você... — Arregalou os olhos.
Voltei a trabalhar. Isso sempre desestabiliza quem quer provocar. Yangiang não aguentou muito tempo.
— Eu sei que está com raiva de mim — começou ela, inclinando-se um pouco para frente como se estivéssemos compartilhando um segredo. — Mas o que aconteceu entre eu e Richard ficou pra trás.
Pronto. Lá estava. O jeito como pronunciou o nome dele dizia mais do que qualquer confissão de traição.
Senti uma pontada quente no peito, um pouco de raiva. Mas não deixei transparecer. Apenas ergui uma sobrancelha, como se ela tivesse comentado sobre o tempo.
— Que bom que ficou pra trás, porque agora estando casado, ele conhece as regras — respondi, serena.
— Sim. Richard já foi muito generoso comigo. Até um apartamento ele me deu, mas não é nada que precisa se preocupar. É só porque fica perto do prédio da empresa Brown. Conveniência, sabe? Ele detesta trânsito.
Coloquei minha Glock sob a mesa e puxei um paninho pra lustrar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO da Máfia que me Odeia - Um acordo perigoso