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O CEO da Máfia que me Odeia - Um acordo perigoso romance Capítulo 19

Capítulo 20

Sofia Kim

— Não sou eu que deve aqui... — Richard respondeu como se tivesse razão. Idiota, nem imagina que agora posso ferrar com ele perante o conselho.

Ele acompanhou meu olhar até o pequeno enfeite no canto da mesa. Franziu a testa, claramente tentando entender o motivo daquele sorriso que não pude evitar.

— O que foi? — perguntou, dando um passo na minha direção.

Não respondi. Cruzei os braços e apenas sustentei seu olhar. Ele diminuiu ainda mais a distância entre nós.

— Está planejando alguma coisa, Sofia?

Sorri de canto.

— Pensei que o famoso senhor Brown soubesse de tudo... — Provoquei.

Os olhos dele estreitaram. Por um instante pareceu que ele esqueceria qualquer compromisso e continuaria aquela discussão até arrancar uma resposta de mim sei lá do que.

Mas, antes que pudesse dizer mais alguma coisa...

Toc. Toc.

Batidas interromperam o silêncio da sala.

Mesmo assim, nenhum de nós desviou o olhar. Richard continuava me encarando, e eu me recusava a ser a primeira a quebrar aquele impasse.

Toc. Toc.

— Senhor Brown… temos um problema. — Uma voz grossa disse do lado de fora.

Richard não respondeu. Seus olhos continuavam fixos em mim, queimando de raiva e desconfiança.

A terceira batida veio mais urgente.

— Senhor Brown, precisamos do senhor agora!

Eu cruzei os braços, erguendo uma sobrancelha.

— Vai abrir ou pretende ignorar todos os problemas hoje?

Ele soltou um suspiro irritado, caminhou até a porta e a abriu com um puxão violento.

Do outro lado estava o chefe da segurança interna da Kim, nervoso.

— Senhor, tivemos uma movimentação estranha no armazém 4. A alfândega apareceu de repente e está fazendo perguntas sobre a última remessa. Precisamos da sua presença.

Dei um passo à frente, mantendo a voz firme.

— Eu resolvo. — Já fui apalpando a arma porque estou acostumada com esse tipo de problema, mas...

O homem olhou para mim, depois para Richard, sem saber para quem responder. Richard soltou uma risada baixa, quase cruel, e me olhou de cima a baixo.

— Não, você não sai dessa sala, Sofia.

Ele deu um passo para o lado, bloqueando parcialmente a passagem.

— Como não? Essa ainda é a minha empresa.

— Você "ainda" esquece uma coisa. Hoje você é minha assistente. E assistentes não resolvem assuntos da presidência.

As palavras me atingiram como um tapa. Senti o sangue subir para o rosto. Ele continuou, com aquela calma venenosa que eu odiava:

— Dentro desta empresa, você atende telefone, organiza agenda e faz o que eu mandar. Entendeu?

A humilhação foi tão grande que por um segundo eu não consegui responder. Meus punhos se fecharam ao lado do corpo. Queria bater nele. Queria atirar nele de novo. Mas me contive. Quando virou as costas, segurei seu braço.

— Vai sair sem me dizer o que está acontecendo? Estou ficando sem paciência Richard.

Ele não respondeu. Simplesmente ajeitou a gola da camisa. Quando percebi que iria sair assim, voltei a questionar:

— Esse assunto ainda não terminou Richard. E você sabe. — Ele segurou o celular digitando algo como se eu não tivesse dito nada.

— Eu decido quando termina. Agora volte a trabalhar, querida assistente.

Richard deu um último olhar para mim, como se quisesse gravar minha raiva, e saiu com o chefe da segurança, fechando a porta.

Fiquei parada no meio da sala, respirando pesado enquanto apertava minha arma com força. O silêncio que ficou foi quase pior que as palavras dele.

Olhei novamente para o enfeite de mesa. Um sorriso lento se formou nos meus lábios.

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