PROCURE OUTROS NOMES
No dia seguinte, no consultório médico, Henry Salvattore mantinha a postura impecável, o braço repousado sobre os ombros de Karen com uma gentileza que, para olhos desatentos, beirava a devoção. Mas, por dentro, ele era puro gelo. Cada carinho era um cálculo; cada acompanhamento médico, uma peça no tabuleiro de sua vingança silenciosa.
O silêncio da sala de exames foi quebrado pelo som rítmico e acelerado que ecoava do Doppler. A médica deslizou o transdutor pelo ventre de Karen, ainda com uma saliência discreta de três meses, e franziu o cenho antes de sorrir.
— Bem, parece que temos uma surpresa aqui.
Anunciou a doutora.
— Não é apenas um coração. São dois. Parabéns, vocês esperam gêmeos.
Valentina soltou um suspiro audível de deleite, as mãos espalmadas no rosto. Karen, radiante, buscou o olhar de Henry. Ele, porém, permaneceu estático. Enquanto as mulheres celebravam, a mente de Henry voava para longe dali, cruzando quilômetros até chegar a Zoe e ao seu verdadeiro filho. O contraste era uma ferida aberta: sua família real vivendo nas sombras, enquanto ele era obrigado a encenar aquele teatro de felicidade com herdeiros falsos que ele desprezava.
A empolgação de Valentina não tinha limites. Movida pela ansiedade da elite, ela não se deu por satisfeita com a imagem em preto e branco.
— Quero o exame mais moderno que existir, quero saber os sexos ainda hoje. Lorenzo vai ficar radiante quando souber dessa novidade.
Exigiu Valentina, a autoridade em cada palavra.
— Sangue, tecnologia 4D, o que for preciso. Precisamos saber se são duas meninas, dois meninos ou o casal.
Horas depois, o resultado veio trazer um ego maior nos desejos de Karen: um casal. Um menino e uma menina.
— Gêmeos... um casal! É uma benção, Henry! Karen te abençoou em dobro.
Valentina exclamou, voltando-se para o sobrinho.
— Karen, querida, você já pensou nos nomes?

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