UMA MULHER FURIOSA
A atmosfera no último andar da Salvattore Technologies era gélida, e não era por causa do ar-condicionado. Karen Taylor caminhava de um lado para o outro, seus saltos estalando contra o mármore com um som irritado.
Nina Barbieri, sua assistente pessoal, permanecia imóvel junto à porta, com o tablet em mãos, aguardando a tempestade desabar.
_"Eu não suporto a ideia, Nina! Não suporto!"
Karen virou-se bruscamente, os olhos faiscando.
_"Que aquela brasileira ainda esteja em Milão! Ela deveria ter sumido depois do divórcio! Ter voltado para o país de terceiro mundo dela."
_"Senhora Taylor, eu entendo que—"
_"Não, você não entende! Ninguém entende. Eu quero aquela imigrante miserável longe!"
Karen a interrompeu, batendo com a mão na mesa de vidro.
_"O pior não é ela estar aqui. O pior é que o Enzo... logo o Enzo, aquele traidor! Deu a ela um cargo no departamento financeiro da empresa dele. Ajudar uma imigrante sem nome... que audácia! Ela está se infiltrando novamente no nosso círculo, mas eu vou acabar com a raça dela de vez."
Karen respirou fundo, tentando recuperar a compostura, mas o ódio por Zoe Garcia era evidente.
_"Eu quero que você contrate um detetive particular. Agora! Alguém que descubra tudo e que saiba ser invisível."
_"Quero que ele siga o Henry para todos os lugares,"
Ordenou Karen, aproximando-se de Nina.
_"Eu tenho certeza de que ele vai atrás dela. Henry tem essa fraqueza patética pela ex-mulher, e eu não vou permitir uma aproximação. Quero saber onde a Zoe está morando, onde ela toma café, onde faz compras... eu quero a vida dela em uma pasta na minha mesa."
Nina apenas assentiu, conhecendo bem o temperamento da patroa.

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