LORENZO PASSA MAL
O ar no escritório da mansão Salvattore estava pesado, saturado pelo cheiro de mogno e pelo rancor acumulado de gerações. Lorenzo Salvattore, o patriarca cujas mãos agora tremiam sobre o colo, encarava o neto com olhos que ainda preservavam o fogo do comando, apesar da fragilidade da cadeira de rodas. Ao seu lado, Valentina mantinha uma postura rígida, o rosto tenso pela antecipação da discussão que veria acontecer a seguir.
— Sente-se, Henry!
Ordenou Lorenzo, a voz rouca, mas autoritária.
— Não estamos aqui para sugestões. Karen escolheu os nomes dos herdeiros e eu já dei minha bênção. Os gêmeos serão batizados como Giovanna e Henrico, e isso é uma ordem clara.
Henry nem sequer tocou na cadeira. Ele permaneceu de pé, os punhos cerrados, uma sombra de amargura cruzando seu rosto jovem e bonito.
— Nunca vovô, ela que procure outros nomes, menos esses!
Henry disparou, a voz gélida e cortante.
— Essas crianças jamais levarão os nomes dos meus pais. Eu não vou permitir que Karen use essas crianças para nos chantagear.
A reação foi imediata. O rosto de Lorenzo passou do pálido ao rubro em segundos.
— Como ousa?
Rosnou o velho.
— É uma honra! É a linhagem Salvattore se perpetuando, e Karen nos abençoou com duas crianças, ela merece colocar os nomes que quiser, devemos isso a ela. Karen trouxe um brilho diferente para nossas vidas. Diferente daquela brasileira seca que você se casou no passado.
Henry olhou furioso para o avô:
_ Não ouse falar no nome da Zoe, ela foi massacrada aqui por você vovô.
Lorenzo esbravejou:
_ Seu... Seu moleque!
— Lorenzo, por favor, acalme-se!
Valentina interveio, colocando a mão no ombro do patriarca sentindo a batida errática em sua jugular.
— Lembre-se do seu coração. Henry, tente entender... Karen está decidida. Ela não quer outros nomes, e seu avô concorda que é a forma mais alta de respeito. Os gêmeos devem ser Giovanna e Henrico. É o desejo da família. Por favor, aceite.
— EU NÃO ACEITO! JAMAIS!
Henry gritou, o som ecoando pelas paredes do escritório, fazendo os cristais da cristaleira vibrarem.

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