VÁCUO DE LIDERANÇA
Sete dias haviam se passado desde que o mundo dos Salvattore colapsou. No hospital, Lorenzo finalmente apresentava os primeiros sinais de resistência; embora a UTI ainda fosse seu casulo de tubos e monitores, o quadro clínico havia se estabilizado, permitindo que a família soltasse um fôlego contido, ainda que trêmulo.
No entanto, o alívio não cruzava as portas da Salvattore Technologies. Lá, a tensão não era apenas perceptível, ela era sufocante. O sistema de ar-condicionado central trabalhava no nível máximo, mas parecia inútil contra o calor opressor da hostilidade que emanava das salas de reunião. Desde o infarto do patriarca, o brilho corporativo do aço e do vidro deu lugar a uma penumbra de incertezas e jogos de poder.
Henry era a sombra de si mesmo. Esmagado sob o peso de uma culpa que o consumia como ácido e pela súbita obrigação de carregar o legado do pai, ele se tornou uma figura bissexta na própria empresa. Seus passos, antes firmes pelos corredores espelhados, agora eram raros e apressados, evitando os olhares que cobravam respostas que ele ainda não tinha.
Esse vácuo de liderança foi o cenário perfeito para a ascensão de Karen. Com o campo livre e a ausência do herdeiro, ela se movia com a precisão de um predador em território desprotegido. Pelas mesas de café e departamentos de estratégia, ela destilava seu veneno em doses homeopáticas, semeando dúvidas sobre a capacidade de Henry e colhendo aliados na base do medo e da manipulação. A Salvattore Technologies não estava apenas sob nova direção; estava sob cerco.
Naquela manhã, o aroma de café recém-passado precedeu a entrada de Juliana na sala de Karen. O silêncio foi quebrado pelo som seco da xícara tocando a mesa de carvalho.
— Seu café, senhorita Taylor!
Disse Juliana, mantendo a postura profissional.
Karen nem sequer levantou os olhos do tablet. Sua voz saiu carregada de desprezo:
— Eu já disse que não quero gente do seu tipo circulando aqui. O Henry pode até enganar com essa carinha de servil que você tem, mas eu sei que você e a Antonella são as maiores puxa-sacos daquela ex-mulherzinha dele. A Zoe não faz mais parte desta empresa, e vocês deveriam ter ido embora com ela.
Juliana, que sempre suportara as grosserias de Karen em silêncio, sentiu algo romper. Ela deu um passo à frente, os olhos fixos na noiva do patrão.
— A Zoe é uma mulher digna, Karen. Coisa que você, mesmo com o anel de noivado, com dois filhos na barriga e com a cota de sócia, nunca vai chegar perto de ser. Ela foi a verdadeira Senhora Salvattore. Você? Você não passa da amante sem vergonha que aproveitou uma brecha.
O rosto de Karen empalideceu, antes de atingir um tom de vermelho vivo. Antes que ela pudesse gritar, Juliana deu as costas e saiu, fechando a porta com uma suavidade insultante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira