Enquanto isso em outro espaço da mansão Salvattore. O estalo seco da fechadura da porta de madeira maciça selou o isolamento do escritório, abafando instantaneamente o burburinho animado das vozes femininas que ecoava vindo do jardim. Ali dentro, o ar era diferente: cheirava a livros antigos, madeira nobre e tabaco suave. O ambiente, antes formal, ganhou de imediato um tom mais descontraído.
Henry caminhou até o bar de canto, o cristal dos copos lapidados tilintando discretamente enquanto ele servia duas doses generosas de um uísque envelhecido. Ele cruzou a sala com passos firmes e estendeu um dos copos a Enzo.
Sentando-se na imponente poltrona de couro capitonê, Enzo girou levemente o líquido dourado, apreciando o aroma antes de dar o primeiro gole. Um sorriso de puro alívio surgiu em seus lábios ao quebrar o silêncio:
— Cara, ainda bem que conseguimos fugir para cá. As mulheres estavam em um nível de empolgação para fofocar que eu já estava ficando tonto.
Henry soltou uma risada contida, encostando-se na borda da pesada mesa de mogno.
— Por isso inventei qualquer desculpa de negócios para sairmos de fininho. Um homem precisa de estratégia para sobreviver a uma tarde de domingo em família.
Enzo observou o amigo por alguns instantes, a mente viajando para o almoço animado.
— Mas falando sério, cara... o pequeno Henrico está cada dia mais parecido com você. Ele só tem seis meses, mas já dá para ver os seus traços claros ali. É impressionante. É você em miniatura.
O orgulho paternal transbordou instantaneamente no rosto de Henry. Ele tentou disfarçar, mas um sorriso largo e genuíno dominou seus lábios.
— Até o jeito de dormir é igual ao meu, acredita?
Henry riu, todo orgulhoso, balançando levemente o copo e observando as pedras de gelo.
— Mas, felizmente, aquela doçura que ele tem para cativar as pessoas... aquelas bochechas fofinhas que fazem todo mundo se derreter... aquilo ele puxou totalmente da Zoe. Se dependesse da minha carranca, o menino estava perdido.
Os dois riram alto, compartilhando daquela cumplicidade que apenas os amigos de longa data possuem. No entanto, o momento de leveza começou a se dissipar quando Henry fixou o olhar em Enzo, mudando sutilmente o tom da conversa para algo mais maduro e pessoal.
— Mas e você, Enzo? Como estão as coisas de verdade? Como está o namoro com a Antonella?
O sorriso de Enzo vacilou no mesmo segundo. Seus ombros pareceram carregar um peso invisível e ele soltou um longo e pesado suspiro, fitando o fundo do copo como se procurasse as palavras certas ali.


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