O som dos passos firmes de Enzo ecoou pelo mármore do hall da mansão Mancini logo na segunda-feira à noite. Ele não tirou o paletó, não aceitou o uísque oferecido pelo mordomo e não hesitou. Com o semblante fechado, ele convocou os pais, Giorgio e Ada, e sua irmã, Vittoria, para uma reunião imediata no escritório da família.
Assim que a pesada porta de madeira se fechou, Enzo foi direto ao ponto, encarando-os por trás da mesa de mogno.
— Não vou dar voltas. Quero que vocês arrumem as malas de Francesca Valli e a mandem para um hotel de luxo ainda hoje.
Determinou Enzo, a voz fria e inabalável.
— Não importa o valor da diária, eu faço questão de pagar tudo com o cartão corporativo. Afinal, ela veio a Milão a trabalho para a Empresa dos seus pais, não para passar férias.
Giorgio Mancini, sentado em uma das poltronas de couro, cruzou os braços e assentiu lentamente com a cabeça.
— O rapaz está certo, Ada. Negócios são negócios, e hospitalidade tem limite, ainda agora que nosso filho tem namorada.
Concordou o patriarca, com sua habitual praticidade.
Mas o consenso parou por ali. Ada Mancini ajeitou o colar de pérolas, com os olhos faiscando de indignação, enquanto Vittoria se levantou da cadeira, inconformada.
— Você enlouqueceu, Enzo?!
A mãe começou, elevando o tom de voz.
— Mandar a Francesca para um hotel? Isso é um insulto, uma completa falta de respeito com a família Valli! Você sabe perfeitamente o quanto somos próximos a eles. O que os pais dela vão pensar de nós?
— É o cúmulo do absurdo!
Completou Vittoria , cruzando os braços com desdém.
— A Francesca é da nossa classe, sempre foi perfeita para você. E agora você quer escorraçá-la da nossa casa?
Enzo respirou fundo, tentando manter o controle diante do drama familiar.
— Eu não estou escorraçando ninguém. Estou estabelecendo limites.
Explicou ele, pausadamente.

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