No dia seguinte, o sol nasceu sobre a mansão Mancini, contrastando com o clima de tempestade que se formava dentro das paredes de mármore carrara. Logo cedo, o eco rítmico e agressivo dos saltos agulha de Ada ditou o tom do dia. Ela cruzou o imenso salão principal e bateu o pé, irredutível, diante do filho.
— Francesca Valli não sairá desta casa, Enzo!
Decretou Ada.
— Isso é apenas um capricho infantil da sua parte.
Sem dizer uma única palavra, Enzo pegou sua pasta de couro, lançou um olhar enigmático para a mãe e saiu em direção ao Grupo Mancini. O silêncio dele era o pior dos avisos.
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Durante o horário do almoço. Incapaz de se concentrar no trabalho, Enzo voltou mais cedo para casa. Ao caminhar pela área externa de lazer, o som de risadas afetadas chamou sua atenção. Na beira da piscina de borda infinita, Francesca desfilava vestindo um biquíni minúsculo. Ela exibia um corpo de tirar o fôlego de perfeito e uma autoconfiança audaciosa, medindo o espaço com os olhos como se já fosse a dona legítima de toda a propriedade. Para piorar a situação, Vittoria, irmã de Enzo, estava estirada na espreguiçadeira ao lado. As duas trocavam olhares cúmplices e riam de algo.
Ao notar a sombra de Enzo se aproximar, a postura de Francesca mudou em um piscar de olhos. O riso maldoso sumiu instantaneamente; ela vestiu sua melhor máscara de boa moça injustiçada e forçou um brilho angelical nos olhos.
— Enzo! Que surpresa maravilhosa...
A voz dela saiu mansa, quase um ronronar, enquanto ela caminhava até a borda da piscina.
— Você não quer tirar esse terno sufocante e nadar um pouco comigo? A água está deliciosa.
Enzo parou a dois passos dela.
— Não, obrigado. Estou ocupado demais para perder tempo com coisas banais.
Respondeu ele seco.
Sem estender o assunto por mais um segundo, Enzo deu as costas e se afastou em direção ao interior da casa. O impacto do desprezo foi físico. O rosto de Francesca mudou de cor na hora. Serena, percebendo o desapontamento da amiga, levantou-se rapidamente e segurou seu braço para contê-la.
— Fica calma, amiga. Respira...
Sussurrou Vittoria, olhando feio na direção onde Enzo havia sumido.
— Mais cedo ou mais tarde, o Enzo vai acordar desse transe e voltar para você. Se depender de mim e da mamãe, ele jamais vai ficar com aquela ex-copeira de quinta.
Francesca soltou uma risada anasalada, maldosa, embora o olhar ainda guardasse o ressentimento profundo da rejeição.
— Bom saber que tenho você do meu lado...

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