Uma semana depois, o som dos saltos agulha de Ada Mancini contra o porcelanato espelhado do Departamento de Relações Públicas soou como uma contagem regressiva para o desastre. Quando ela ordenou, com a frieza de quem é dona de metade da cidade, que todos esvaziassem a sala, Juliana hesitou por um segundo, lançando a Antonela um olhar preocupado antes de sair.
O silêncio que se instalou na sala era denso, sufocante. Ada não perdeu tempo.
— Vim aqui apenas para exigir que você peça demissão desse estágio e termine esse namoro ridículo com meu filho.
Antonela sentiu o estômago revirar.
— Sinto te desapontar, senhora Mancini, mas não vou deixar meu estágio aqui e muito menos o seu filho. Nós nos amamos.
Ada deu uma risada debochada, um som agudo.
— Amor? Garota, no nosso mundo garotas pobres como você não sobrevivem apenas com amor. Você não está à altura do meu filho, você será piada no nosso meio social. Você não combina com Enzo. A Francesca, ela sim, é a esposa perfeita para ele. Sempre foi, eles se conhecem desde criança, o amor deles não nasceu hoje. Ela já foi noiva dele.
As palavras de Ada eram como lâminas, mas, em vez de ferir, acenderam uma faísca de indignação no peito de Antonela. Ela deu um passo à frente, as mãos trêmulas de raiva recolhidas ao lado do corpo, recusando-se a demonstrar fraqueza.
— Se ele ama ela tanto assim como a senhora diz, por que o noivado acabou há quatro anos?
O ar na sala pareceu congelar. A fachada de superioridade de Ada trincou por um milésimo de segundo, substituída por uma fúria cega. Ela se aproximou a passos rápidos, diminuindo a distância entre as duas até que Antonela pudesse sentir o perfume caro e sufocante da outra mulher.
— Como você ousa me questionar, sua petulante?
A voz de Ada desceu para um sussurro venenoso.
— Saia da vida do meu filho ou eu vou fazer da sua vida um inferno.
Antonela não recuou um centímetro. A proximidade de Ada, em vez de intimidá-la, trouxe uma clareza cortante.
— A senhora pode ter o sobrenome, o dinheiro e o poder de mandar todos saírem desta sala..
Disse Antonela, a voz baixa, porém firme e inabalável.
— Mas não tem o poder de mandar no coração do Enzo. Uma semana se passou desde que ele saiu daquela mansão. Ele escolheu a liberdade, ele me escolheu. Se a senhora quer fazer da minha vida um inferno, tente. Mas saiba que, cada vez que a senhora me atacar, só vai afastar o seu filho ainda mais de você.

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