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O CEO Italiano e a Brasileira romance Capítulo 152

O clima no departamento de Relações Públicas, que costumava ser um ecossistema vibrante de telefonemas sobrepostos, cliques furiosos de teclados e discussões acaloradas sobre estratégias de gerenciamento de crise, congelou instantaneamente. O eco das palavras impensadas de Juliana ainda vibrava no ar pesado, agindo como um ímã magnético para os olhares curiosos de pelo menos quatro assessores de imprensa e analistas. Eles, que antes fingiam imersão total em suas planilhas de clipping e métricas, agora mal disfarçavam a atenção dividida, com os olhos fixos na periferia da cena.

Enzo Mancini sentiu o sangue ferver sob a pele, uma onda de calor que contrastava violentamente com a rigidez de sua postura. Cada linha de seu corpo expressava uma frieza puramente corporativa — e, por isso mesmo, extremamente perigosa. Ele era o herdeiro, mas ali, era o Diretor Executivo.

— O que a minha mãe te disse?

Perguntou ele.

A voz de Enzo era um sussurro grave, o tom formal demais para um namorado, mas exato para o líder da empresa que precisava conter um incêndio institucional e pessoal.

Antonella recuou um passo instintivo, sentindo o impacto leve da divisória de acrílico da mesa contra as suas costas. A presença imponente de Enzo, moldada naquela postura de confronto e autoridade, a deixava despida de qualquer defesa, perigosamente vulnerável diante de todo o andar.

— Ela... ela veio me ameaçar...

Balbuciou Antonella, com a voz quase sumindo na garganta seca.

Juliana, que já exibia o dedo em riste e o peito estufado por uma mistura volátil de indignação profissional e lealdade pessoal, cruzou a linha de demarcação hierárquica e interferiu sem hesitar:

— Chefe, sua mãe não somente ameaçou a Antonella. Aquela mulher entrou aqui para humilhá-la publicamente. Exigiu, com todas as letras, que ela assine a demissão e termine o relacionamento com você hoje mesmo.

O silêncio que se seguiu foi quase palpável, doloroso como um corte fino de papel. Antonella fuzilou Juliana com os olhos, um misto de pânico. O plano original era perfeito em sua simplicidade: respirar fundo, engolir o choro, esperar o horário do almoço e ter uma conversa madura e privada com Enzo. Mas agora, a impulsividade e a boca grande de Juliana haviam exposto suas vísceras e sua vida íntima no epicentro do departamento. O orgulho de Antonella sangrava abertamente diante dos olhares de soslaio e dos sussurros camuflados que já começavam a circular pelo Microsoft Teams da equipe.

— Juliana, fala baixo!

Sibilou Antonella, a voz oscilando perigosamente entre a vergonha paralisante e a raiva contida.

— Esse é um assunto pessoal. Eu vou resolver em particular com o Enzo.

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