O fim de semana havia passado em um sopro torturante e, para a profunda frustração de Francesca, Enzo Mancini não deu as caras no condomínio. Ela sabia, com uma certeza que lhe corroía as entranhas, que o ex-noivo passara cada segundo daqueles dias nos braços da nova namorada, Antonella. A fúria borbulhava em seu peito, transformando-se em um rancor amargo. Ela havia se mudado para tão perto dele para nada? Francesca não aceitaria ser colocada em segundo plano tão facilmente; o silêncio de Enzo era apenas o combustível que faltava para seu próximo movimento.
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No dia seguinte, a segunda-feira começava com uma energia completamente diferente para Antonella. Ao cruzar a porta da sala de reuniões do departamento de Relações Públicas, a mente dela já havia se desligado das planilhas e metas. Seu único pensamento era voltar para o apartamento e se preparar. Saber que, em breve, estaria novamente com Enzo trazia-lhe um sorriso involuntário aos lábios.
Foi quando o celular vibrou em sua mão. Na tela, o nome dele iluminou o visor. Sem pressa, mas com o coração acelerando um compasso, ela abriu a mensagem:
[Te aguardo hoje na minha cobertura às 19 horas. Venha e não se atrase]
Para ela o dia de trabalho passou como um borrão. Faltavam meia hora para as sete da noite quando Antonella se encarou no espelho, oscilando entre a admiração e a autocrítica. Ela achava que tinha se produzido demais: o caimento do vestido, a maquiagem impecável, o perfume marcante... Tudo parecia gritar o quanto ela se importava.
— Isso é ridículo, é só mais um encontro...
Murmurou para si mesma, ajeitando uma mecha de cabelo. Ela não deveria estar se sentindo como uma adolescente ansiosa antes do primeiro encontro, mas a verdade era que Enzo tinha esse efeito sobre ela.
Na cobertura luxuosa, o próprio Enzo não estava em um estado de espírito muito diferente. Ele andava de um lado para o outro na sala de estar, checando o relógio de pulso a cada dois minutos. A funcionária havia sido dispensada mais cedo; ele queria total privacidade. Sentia-se, de fato, como um garoto apaixonado, uma sensação que há muito tempo não experimentava.
Vinte minutos depois, a campainha finalmente tocou, Enzo respirou fundo e foi abrir a porta. Ao ver Antonella ali, sob a luz do hall, ele paralisou por um instante. Ela estava simplesmente deslumbrante. Recobrando a postura de homem seguro que lhe era habitual, ele abriu um sorriso caloroso.
— Fico feliz que você chegou, amor.
Antonella entrou em silêncio, os olhos castanhos absorvendo a elegância do ambiente de design minimalista e acolhedor.
— Eu não perderia isso por nada, amor.
Respondeu ela, permitindo-se relaxar.
Enzo a envolveu em um abraço apertado.
— Quero te mostrar uma coisa.
Conduzida suavemente pelos dedos firmes dele, Antonella foi levada até a enorme sala de jantar. Ao cruzar o arco de entrada, ela parou, genuinamente surpresa.
A atmosfera estava impecável. A primeira coisa que atraiu sua atenção foi a iluminação suave e romântica, cortesia das várias velas espalhadas pela enorme mesa de madeira nobre. Em seguida, o aroma incrível e sofisticado de um molho bem apurado invadiu suas narinas, despertando imediatamente o paladar.
Enzo sorriu, orgulhoso da reação dela.
— Eu mesmo cozinhei para nós hoje.
Antonella piscou, percebendo naquele instante que, apesar da intimidade que já compartilhavam, ainda havia muitas facetas de Enzo que ela desconhecia.
— Eu não tinha ideia de que você cozinhava.
Comentou de maneira espontânea.
— Sério?
Enzo deu um passo à frente.

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