O visor acima da porta do elevador piscava no vigésimo andar quando a cabine parou. Enzo e Antonella estavam imersos em um universo particular, as mãos dela espalmadas no peito dele, enquanto Enzo sorria entre um beijo e outro, com os dedos enredados nos cabelos castanhos da namorada. O som metálico da porta se abrindo mal os fez se afastarem.
Eles nem notaram quem acabara de entrar. Mas o perfume que invadiu o cubículo de espelhos era terrivelmente familiar para Enzo. Um blend de jasmim e sândalo que, por anos, foi o seu porto seguro e, depois, o seu tormento.
Uma voz feminina, firme mas com uma leve quebra no final, chamou o nome dele, cortando o silêncio do ambiente.
— Enzo?
O corpo de Enzo enrigeceu instantaneamente. O sorriso nos lábios de Antonella murchou ao sentir a súbita tensão nos músculos dele. Devagar, Enzo afastou o rosto e olhou em direção à porta.
Lá estava ela.
Francesca Valli. A ex-noiva. A mulher que, quatro atrás, havia deixado um rastro de dor. Ela vestia um corte impecável de alfaiataria, os cabelos presos em um coque elegante, mas os olhos expressivos entregavam o choque do reencontro.
— Francesca.?.
O nome saiu da boca de Enzo como um sopro.
Antonella olhou de Enzo para a recém-chegada, captando imediatamente a eletricidade estática que tomou conta do ar. Ela deu um meio passo para trás, mas manteve a mão possessiva contornando a cintura de Enzo.
Francesca olhou para a mão de Antonella na cintura de Enzo, depois para os lábios levemente borrados de batom dele. Um vinco sutil surgiu entre suas sobrancelhas, uma mistura de orgulho ferido e uma ponta de melancolia que ela tentou disfarçar com um pigarrear elegante.
— Eu não sabia que você estava frequentando este lado da cidade.
Disse Francesca, recuperando a postura de sempre.
— Eu moro aqui! E você o que faz aqui?
Enzo disse, e, com um toque suave, puxou Antonella para mais perto.

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