O silêncio dentro do carro era quase palpável, quebrado apenas pelo ronco abafado do motor esportivo de Enzo. Ele apertava o volante com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos. A menção ao passado e à ferida que ele lutara tanto para cicatrizar, havia reaberto um abismo de ressentimento.
Antonella olhava pela janela, a mente fervendo. A imagem de Francesca, com aquele cinismo disfarçado de inocência, não saía de sua cabeça.
O reflexo dos arranha-céus espelhados do Grupo Mancini sumiu do capô assim que Enzo manobrou para o subsolo, estacionando o carro exatamente entre as faixas que delimitavam seu espaço de direito na empresa. O estalo do freio de mão puxado ecoou no silêncio que se instalou. Ele fechou os olhos por um instante, sentindo o peso do mundo nos ombros, antes de finalmente relaxar os dedos e soltar o couro do volante. O suspiro que deixou seus lábios foi pesado, carregado de uma exaustão que não era física, mas mental. Ao se virar para o lado, encarando a namorada que o observava em silêncio, o contraste foi imediato. A postura rígida e o olhar cortante, que faziam dele uma figura intimidadora no mundo corporativo, tinham dado lugar a algo completamente diferente. Naquela penumbra do estacionamento, os olhos dele transmitiam uma vulnerabilidade exposta, quase dolorosa. Pela primeira vez em muito tempo, Enzo não estava no controle e aquela fresta em sua armadura dizia mais do que qualquer palavra.
— Antonella, me desculpa.
A voz dele saiu mais baixa do que o normal.
— Eu não fazia ideia de que ela estava morando lá. Se eu soubesse...
— Eu sei que você não sabia, Enzo.
Antonella o interrompeu, virando-se para ele. A raiva em sua voz não era direcionada a ele, mas a situação a sufocava.
— Mas ela sabia. Aquela conversa de "eu não sabia que você morava aqui" é a maior mentira que já ouvi. Ela está te perseguindo. E o que ela disse ali dentro... sobre o aborto...
Ela hesitou por um segundo, tocando suavemente no braço dele.
— Quatro anos, Enzo. Ela ainda usa a dor do passado para tentar prender a sua atenção?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira