Naquela manhã de sexta-feira, a atmosfera no Grupo Moretti parecia ainda mais opressiva que o habitual. Juliana cruzou as portas de vidro do Departamento de Relações Públicas com os ombros caídos e o semblante fechado, carregando o peso de um dia que mal havia começado. Na agenda, o compromisso mais temido da semana: uma reunião estratégica com Nicola Moretti, o atual CEO da empresa familiar.
Como diretora de RP, o principal desafio de Juliana não era apenas gerenciar a comunicação externa, mas conter uma feroz e silenciosa crise interna que ameaçava rachar a dinastia Moretti. Sua grande missão era blindar e consolidar o sobrenome da família no mercado, resgatando o prestígio e a solidez inabalável da época do patriarca o avô de Nicola, um tempo em que o nome da empresa era sinônimo de respeito, não de escândalos nos bastidores. Juliana já tinha trabalho nesse foco de gerenciamento a semana toda com sua equipe.
Contudo, antes de focar na macroeconomia do grupo, Juliana precisava resolver um problema, porém altamente perigoso: o carro de Caterina, a influente e caprichosa namorada de seu chefe. Na noite anterior, um segundo de distração no estacionamento subterrâneo da empresa resultou em uma leve colisão. O para-choque do importado de Caterina sofreu o que parecia ser apenas um pequeno arranhão, mas Juliana sabia que, tratando-se de quem era, o preço a pagar seria alto.
Ela só não imaginava o quão alto.
Assim que se sentou em sua cadeira de couro, Juliana deparou-se com um envelope pardo, timbrado por uma concessionária de luxo, perfeitamente alinhado sobre sua mesa. Com as mãos levemente trêmulas, rompeu o lacre e puxou o papel. Ao passar os olhos pelo valor final do orçamento, o sangue pareceu sumir de seu rosto e uma onda de tontura a fez recuar contra o encosto da cadeira. O conserto daquele "pequeno arranhão" custaria o equivalente a quase seis meses de seu salário líquido.
Ela pensou: "É um abuso, uma clara provocação daquela jibóia piton".
Não era um orçamento, era uma declaração de guerra".

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira