A segunda-feira. O dia oficial internacional de encarar a realidade e, no caso de Juliana, de aplicar a Operação Escudo Anti-CEO.
Assim que pisou no Grupo Moretti, ela ativou o modo de sobrevivência ninja: manteve distância de segurança máxima do último andar, onde o Olimpo (também conhecido como a presidência) e a sala de Nicola Moretti ficavam. Se o elevador ousasse subir por lá por engano, ela provavelmente pularia em movimento.
O departamento de Relações Públicas virou seu bunker particular. Ela se trancou na sua sala e de lá só saiu por uma causa nobre: comida. Mas, diferente do último mês em que já ostentava o glamoroso e perigoso cargo de "namorada de mentira" no horário do almoço, ela fez questão de se misturar com o mero povo da equipe de RP. Nada de lagostas caras com Nicola; o cardápio do dia era prato feito e fofocas corporativas.
Para a absoluta alegria (e um tiquinho de decepção) de Juliana, o celular não apitou nenhuma vez com o nome dele. Nem uma mensagem, nem um puxão de orelha, nada.
"Ótimo! Pelo visto, o Senhor Perfeição sofreu amnésia seletiva e nem lembra que me beijou no meu apartamento no sábado. Típico. Homem bonito é assim mesmo, a memória evapora junto com o perfume caro! Deve ter ido ficar logo depois com a jibóia amarela."
Pensou, Juliana.
O expediente já estava na prorrogação do segundo tempo. Juliana organizava sua mesa, pronta para cantar vitória e sair ilesa do primeiro dia da semana, quando o universo decidiu rir da cara dela. Seu celular vibrou na mesa como um trovão. Ao olhar o visor, o nome reluzia em letras garrafais: NICOLA MORETTI.
Ela respirou fundo, olhou para a tela como se fosse uma bomba relógio e resmungou para si mesma:
— Por falar no gostoso do Nicola... Esse homem é o próprio monumento à prepotência... Olha só resolveu dar o ar da sua graça só agora?
Ela jeitou a postura, engoliu a seco e atendeu no tom mais "estou super ocupada querido chefe":
— Pois não, Nicola?

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