A música do Bobino Milano ainda pulsava, mas o volume parecia ter baixado para Lucca e Zoe assim que Antonella e Juliana se despediram. O espaço agora mais vazio, tornou-se o cenário perfeito para Lucca focar toda a sua atenção na brasileira que, desde o primeiro olhar, o deixara fascinado.
Ele se inclinou um pouco mais, o perfume de Zoe misturando-se à brisa da noite milanesa que entrava pelas aberturas do clube.
_"Finalmente um pouco de sossego..."
Lucca sorriu, girando o copo de cristal.
_"Sabe, Zoe, você tem uma energia diferente. Eu preciso saber... como é o lugar de onde você veio? O Brasil que eu vejo nos cartões postais é o mesmo que você deixou para trás?"
Os olhos de Zoe brilharam instantaneamente. A animação dela era contagiante, um contraste vibrante com a frieza calculada que Henry costumava encontrar em seu círculo social habitual como Henry Salvattore.
_"Ah, Lucca, nem se compara!"
Ela exclamou, gesticulando com as mãos.
_"Eu vim para a Itália com apenas 18 anos, logo depois que minha mãe, Laura, decidiu que era hora de tentarmos a vida aqui depois que meu pai morreu. Foi uma mudança gigante. Saímos do calor, daquela confusão alegre das ruas brasileiras, para o inverno de Milão."
Zoe deu um gole em sua bebida, o olhar perdendo-se por um segundo nas luzes da boate.
_"Eu amo Milão. Amo a moda, a arquitetura, as oportunidades... mas mentiria se dissesse que não sinto falta de casa. Sinto falta do barulho das ruas, do tempero da comida da minha avó, do pão de queijo e até do jeito que as pessoas se abraçam sem motivo."
Henry a observava com uma empatia genuína que raramente precisava acessar em sua vida de herdeiro.
_"Eu entendo você,"
Ele disse, o tom de voz mais baixo e compreensivo.
_"Mudar de país, recomeçar... não é fácil para ninguém. Ser imigrante é viver com o coração dividido, tentando pertencer a um lugar novo enquanto carrega um mundo inteiro na bagagem. É preciso muita coragem para fazer o que você e sua mãe fizeram."
Zoe sorriu, tocada pelas palavras dele. Ela não fazia ideia de que, embora Lucca não fosse um imigrante, ele também vivia entre dois mundos, o do personagem Lucca e o do poderoso Henry.
Cerca de uma hora depois, o cansaço começou a vencer a adrenalina da festa. Lucca, cavalheiro, insistiu em levá-la em casa. Enquanto dirigia, ele observava a paisagem mudar. As vitrines de grife e os prédios históricos de mármore ficaram para trás, dando lugar à realidade mais crua do bairro de Fiera.
Era um bairro residencial simples, funcional, com prédios de apartamentos que mostravam o desgaste do tempo, o oposto absoluto da mansão luxuosa e vigiada onde Henry Salvattore costumava dormir.
_"É aqui!"

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