O silêncio da madrugada no bairro de Fiera era quebrado apenas pelo som abafado dos saltos de Zoe contra o piso, enquanto ela girava a chave da porta de casa. O relógio mal marcava uma hora da manhã, mas a energia da jovem parecia capaz de iluminar toda a sala escura.
Lá estava Dona Laura, sentada na poltrona com uma xícara de chá já frio, o olhar atento de quem conhece cada suspiro da filha.
— Mãe! Você ainda acordada?
Zoe sussurrou, jogando a bolsa no sofá e deixando um sorriso radiante escapar.
— A senhora não tem noção do quanto a noite foi incrível! A Antonella e a Juliana são malucas, nós dançamos até os pés pedirem trégua. O pessoal do trabalho realmente sabe como curtir.
Laura observou a filha. Zoe não parecia apenas cansada de tanto dançar; havia um brilho diferente em seus olhos, uma leveza no modo como ela rodopiava pela sala enquanto tirava os sapatos.
— Que bom que se divertiu com suas amigas, querida.
Disse Laura, com um tom de voz calmo e analítico.
— Mas... esse sorriso aí não é só por causa das piadas da Antonella, não é? Esse suspiro profundo... tem alguém mais importante nessa história?
Zoe parou no meio do caminho, o rosto ganhando um tom de rosa que não era da maquiagem. Ela se jogou no tapete aos pés da mãe e suspirou, fechando os olhos por um momento.
— Ele apareceu lá, mãe. O Lucca.
— O Lucca? O faxineiro gato que a Juliana falou?
Laura arqueou a sobrancelha.
— Sim! Ele foi encontrar o grupo e, no meio daquela música, ele me puxou e... ele me beijou, mãe. Foi mágico. Eu acho que estou apaixonada de verdade.
O coração de Laura amoleceu ao ver a felicidade da filha, mas a prudência de quem já viveu muito falou mais alto. Ela acariciou o cabelo de Zoe, mas manteve o tom sério.
— Fico feliz que seu coração esteja batendo forte, Zoe. É lindo ver você assim. Mas, minha filha, peço que tenha calma. Você mal conhece esse rapaz, foram apenas alguns encontros casuais no trabalho. Não quero que você se entregue de cabeça e acabe se decepcionando logo ali na frente. O mundo não é feito só de paixão.
Zoe segurou a mão da mãe, olhando-a com uma sinceridade desarmante.
— Eu entendo sua preocupação, de verdade. Sei que parece rápido. Mas o Lucca não é só um "lance". Ele é trabalhador, esforçado e tem um coração enorme, dá para sentir na conversa dele. Ele respeita o que eu faço e quem eu sou.
Zoe deu um beijo na mão de Laura e completou:

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