O ar frio do fim de tarde de domingo estava um gelo, mas o clima pesou no instante em que Henry cruzou a porta de vidro do edifício. Ele ainda guardava o calor do abraço de Zoe e o sabor do almoço que Laura havia preparado, um contraste brutal com a figura sombria encostada no poste de iluminação logo à frente.
Mattia não estava ali por acaso. Com os braços cruzados e o maxilar rígido, ele projetava a imagem do dono do território à espera de um invasor.
Assim que Henry pisou na calçada, Mattia se desencostou do poste, bloqueando o caminho.
— Já vai tarde, forasteiro!
Cuspiu Mattia, a voz carregada de um veneno mal disfarçado.
— Aproveitou bem o dia? Espero que sim, porque foi o último. Fica longe da Zoe. O aviso tá dado.
Henry parou. Ele não recuou um centímetro. Lentamente, ele ergueu o rosto, e o que Mattia encontrou não foi hesitação, mas um olhar sinistro e gélido, daqueles que fazem o instinto de sobrevivência gritar.
— Eu não tenho medo de você, cara!
Disse Henry, a voz baixa, quase um sussurro, o que a tornava ainda mais perigosa.
— E não recebo ordens de moleque.
Mattia deu um passo à frente, tentando usar sua altura para intimidar, o rosto ficando vermelho de raiva.
— Você não entende, não é? Eu vi a Zoe primeiro. Eu cresci aqui. Ela é minha e de mais ninguém! Você é só um passatempo, não vai durar aqui no meu pedaço.
A menção de que Zoe pertencia a alguém fez o sangue de Henry ferver. A fúria, contida até então, brilhou intensamente em seus olhos, transformando sua expressão em algo genuinamente assustador. Ele deu um passo em direção a Mattia, que, por um reflexo involuntário, hesitou.
— Escuta bem o que eu vou te dizer, porque não vou repetir...
Henry rosnou, cada palavra batendo como um prego.
— A Zoe é minha namorada. Se você chegar perto dela, se você dirigir a palavra a ela ou se ousar encostar em um único fio de cabelo dela... você é um cara morto. Entendeu?
O silêncio que se seguiu foi cortante. Mattia sustentou o olhar por alguns segundos, mas a intensidade destrutiva nos olhos de Henry era demais para ele. Com o ódio transbordando e os punhos cerrados, Mattia deu um passo para o lado, soltando um xingamento entre dentes enquanto se afastava pela penumbra da rua, jurando vingança em silêncio.
Henry não ficou para assistir à retirada de Mattia. Ele caminhou até seu carro, o modelo prata comum, e entrou bruscamente. O som da porta batendo ecoou na rua vazia pelo frio.
Enquanto ligava o motor e saía em direção à avenida principal, suas mãos apertavam o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. A imagem de Mattia tentando reivindicar Zoe como um objeto não saía de sua cabeça.
"Esse idiota não vai encostar na minha Zoe", pensou ele, a respiração pesada. "Nem que seja a última coisa que eu faça."
A pacatez do domingo havia acabado. Agora, Henry sabia que seu único foco era garantir que Zoe estivesse segura, a qualquer custo. Ele tinha que saber quem era esse cara. Um ex namorado de Zoe? Um perseguidor? Um idiota fanático?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira