UMA VISITANTE OUSADA
A atmosfera na mansão Salvattore naquela manhã de segunda-feira era de um silêncio imponente, interrompido apenas pelo tilintar discreto das xícaras de porcelana. Lorenzo Salvattore, o patriarca cuja presença ainda comandava o império da família, observava Chiara Valenti com olhos perspicazes. Ele sabia que ninguém visitava a mansão sem um propósito muito bem desenhado.
Chiara, impecável em um conjunto de alfaiataria que gritava "futura senhora Salvattore", não esperou pelas amenidades habituais. Ela sabia que Lorenzo valorizava o tempo e a audácia.
Chiara:
— O senhor sabe que eu sou apaixonada por seu neto Henry, senhor Lorenzo. Mas eu não sou alguém que espera as coisas acontecerem, gosto de agir. Mas ele ainda parece indeciso. Por isso vim aqui para pedir sua bênção na nossa futura união.
Lorenzo esboçando um sorriso seco, disse:
_Henry é um falcão, Chiara. Ele foca na presa, mas esquece de olhar para o horizonte. O que exatamente você está enxergando no horizonte dele que ele ainda não viu?
Chiara:
— Uma estrutura. Henry precisa de alguém que não seja apenas uma companhia em eventos sociais, mas um pilar de sustentação para o sobrenome. Eu não estou aqui para pedir permissão para ama-lo. Estou aqui para mostrar que sou a única peça que falta para que o legado dele seja tão sólido quanto o seu.
Lorenzo deixou o bule de chá sobre a mesa de mogno e inclinou-se para frente. Ele gostava do que via: ambição refinada, sem o desespero dos amadores.
Lorenzo pensou que o neto não facilitaria o caminho, mas também não seria um obstáculo. Se ela provasse ser capaz de gerir o temperamento do neto, teria a bênção silenciosa do patriarca.
Lorenzo:
— Você é perigosa, Chiara. Henry acredita que está no controle, mas você já está desenhando o mapa da vida dele.
Chiara:
— Eu prefiro o termo "parceria estratégica", senhor Salvattore. Henry terá a glória, e eu garantirei que ele tenha um reino para governar, e nome Salvattore ainda será mais forte. Nossos futuros filhos serão os mais respeitáveis no país.
O velho Salvattore soltou uma risada curta, a primeira em semanas. Ele viu em Chiara o reflexo da sua própria juventude: uma fome que não se saciava com pouco.
_Henry é meu sangue, mas ele é sentimental. Se você quer ser uma Salvattore, terá que ensiná-lo que o poder é mais doce que o romance. Vá em frente, menina. Veremos se você tem fôlego para essa corrida.
Chiara levantou-se, ajeitando as luvas. O primeiro passo estava dado. Henry não estava presente hoje, mas o terreno onde ele pisaria no futuro acabara de ser minuciosamente preparado pela mulher que ele ainda pensava ser apenas uma "esposa".
Chiara já estava pronta para partir, mas, antes parou e virou-se para o patriarca que estava na cadeira de rodas, com um brilho desafiador no olhar, ela disse:
_Senhor Lorenzo...

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