ELE SERIA O PRIMEIRO
O asfalto de Monza brilhava sob a luz baixa do anoitecer quando o carro prata atravessou as ruas da cidade. No volante, Henry, perfeitamente camuflado sob a identidade de Lucca, mantinha uma expressão serena, embora seus olhos estivessem atentos a cada detalhe do retrovisor. Zoe, ao seu lado, observava a paisagem mudar do centro histórico para um bairro residencial mais simples, porém acolhedor.
Sem hesitar, Henry guiou o carro para a rampa de um prédio modesto. O acesso ao subsolo foi imediato; o Assistente Pessoal, Antônio Tommaso, já havia cuidado de toda a logística, garantindo que o veículo de Lucca tivesse passagem livre e discreta.
Ao saírem do carro, o silêncio do subsolo era quebrado apenas pelo eco de seus passos até o elevador. No terceiro andar, a porta se abriu para um apartamento que exalava uma domesticidade impecável.
Zoe entrou e deixou escapar um suspiro de surpresa. O lugar era a definição de "organizado". Sobre os móveis de madeira clara, porta-retratos contavam a história de uma vida que, tecnicamente, pertencia a outra pessoa:
Lucca criança: Correndo com uma bola de futebol em um campo de terra.
Lucca jovem: Formando-se no ensino médio.
Lucca adulto: Fotos de momentos casuais.
Zoe caminhou até a estante, analisando as imagens, mas franziu o cenho ao notar uma ausência.
— Lucca, onde estão as fotos do seu avô? Não vi nenhuma dele aqui.
Henry, que guardava as chaves no aparador, respondeu sem perder o compasso:
— O velho Lorenzo odeia fotos. Diz que elas roubam um pedaço da alma de quem é clicado. Ele é um homem de costumes antigos estranhos.
Zoe arqueou as sobrancelhas, uma coincidência martelando em sua mente.
— Lorenzo? Engraçado... o avô do nosso chefe também se chama Lorenzo.
Henry soltou um riso curto e charmoso, aproximando-se dela.
— Estamos na Itália, cara mia. Lorenzo é um nome tão comum por aqui quanto pizza na mesa dos italianos.
Ela aceitou a explicação com um dar de ombros, voltando a explorar o espaço. O apartamento era funcional e equilibrado: dois quartos, uma sala aconchegante, cozinha, área de serviço, dois banheiros e uma sacada que recebia a brisa da noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira