EU ESTOU GRÁVIDA
Um mês e duas semanas depois da viagem entre Henry e Karen a Roma, ele estava sentado atrás de sua imensa mesa de carvalho, encarava a caneta tinteiro como se ela fosse um objeto estranho. O fantasma de Roma ainda o perseguia, mas nada o prepararia para o que cruzaria aquela porta.
Quando Karen entrou, o impacto foi imediato. A mulher que costumava personificar a elegância e o poder parecia uma sombra de si mesma. O batom impecável fora substituído por lábios pálidos; os olhos, sempre astutos, estavam vermelhos e carregados de cansaço.
— Karen? O que aconteceu com você?
Henry levantou-se num salto, o coração acelerando.
Sem dizer uma palavra, ela caminhou até a mesa com passos incertos e entregou a ele um envelope. As mãos de Henry, tremiam visivelmente ao pegar o envelope branco das mãos de Karen.
— Eu estou grávida, Henry. É seu.
O choque foi físico. Henry sentiu o sangue fugir do rosto enquanto abria o envelope. Os dados eram claros: Positivo. 6 semanas.
— Como?
Ele balbuciou, a voz falhando.
— Você me garantiu que tinha tomado a pílula do dia seguinte, Karen!
— A pílula não é 100% eficaz, Henry!
Ela suspirou, desviando o olhar para a janela.
— O médico explicou que pode haver falha. Eu procurei o ginecologista a dois dias... os enjoos, a fadiga... eu não conseguia mais ignorar.
Eles estavam tão imersos no próprio caos que não ouviram o clique suave da porta. Zoe estava parada na soleira, os relatórios que Henry tanto pedia apertados contra o peito. Cada palavra sobre a gravidez, sobre Roma e sobre a falha do contraceptivo havia atingido seu peito como estilhaços de vidro.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Henry finalmente notou a esposa e o pânico se instalou em seus olhos.
— Zoe?...
Ele tentou dar um passo à frente.
— Não se aproxime de mim... então você engravidou sua amante?

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