Eu não queria continuar me sentindo a mulher mais cruel do planeta, então fiz a única coisa que me ocorreu para desviar o foco.
— Alexander, o que aconteceu ontem com Lily e Pedro? Eles deixaram a mansão esta manhã. Tenho certeza de que isso não foi ideia sua.
Ele suspirou, como se carregasse o peso do mundo nos ombros.
— Eu não pedi para Pedro sair. Já Lily… — ele hesitou, seus olhos buscando algo que eu não consegui identificar. — Apenas sugeri que ela reconsiderasse sua decisão.
— Que decisão? — perguntei, intrigada.
— Sobre a proposta do Sr. Dubois.
Ah, ouvir histórias de Alexander. Não sei como explicar, mas é como escutar um robô tentando ser poético. Frustrante ao extremo.
Trabalhei como jornalista por anos. Já ouvi relatos de pessoas de todas as idades, profissões e níveis de sanidade. Mas nada — nada! — supera a dificuldade de seguir uma história contada pelo meu marido. Ele é vago, seco e detalha só o que ninguém perguntou.
Mesmo assim, confesso que minha curiosidade estava aguçada. Eu queria entender como Lily passou de “aquela que beijou Pedro como se fossem protagonistas de uma novela” para “noiva de Nadir”. Só que cada resposta dele era tão… minimalista, que meu entusiasmo foi murchando.
O que consegui extrair foi que Alexander, em uma conversa improvável com Pedro, perguntou se ele estava apaixonado por Lily. Pedro, aparentemente, respondeu afirmativamente. E, em um raro surto de empatia, meu marido resolveu intervir.
— Então você avisou a Lily que ela tinha dois pretendentes à disposição? — perguntei, tentando confirmar o que parecia ser o resumo da situação.
— Exatamente. Mas deixei claro que ela não merece nenhum deles, na minha opinião.
Eu deveria estar surpresa, mas não estava. Era tão Alexander.
— E por que ela escolheu o Nadir?
— Não perguntei — ele respondeu, como se fosse óbvio.
Suspirei profundamente, sentindo uma mistura de frustração e diversão.
— Você e sua irmã são as pessoas mais complicadas do mundo — declarei.
Ele não respondeu, mas me lançou aquele olhar que dizia “sei que você está certa, mas não vou admitir”.
Quando o assunto morreu, fomos engolidos por um silêncio estranho. Eu olhei ao redor do jardim, notando que, além de nós e alguns guarda-costas disfarçados, o lugar estava praticamente vazio. Um sorriso malicioso surgiu em meus lábios.
Peguei a mão de Alexander com cuidado, envolvendo-a com as minhas. Era grande e forte, mas também surpreendentemente macia, como se sua vida de conforto não tivesse apagado as marcas de uma ancestralidade trabalhadora. Minhas mãos pareciam minúsculas em comparação.
Comecei a traçar círculos e formas imaginárias na palma dele, sentindo cada textura enquanto minha mente vagava. Ele permaneceu imóvel, o que era estranho. Quando ergui os olhos, percebi que ele estava observando minhas ações com uma atenção desconcertante, como se eu estivesse fazendo algo de grande relevância.
— O que você está pensando? — perguntei, genuinamente curiosa.
— Em você.

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