Por um segundo, eu congelei. Literalmente. Meu coração parou como se tivesse levado um choque, e minha pele se arrepiou de um jeito irritante. Eu tremia, e não era de frio. Ele parecia perceber, porque, em um estalo, soltou-me. Como se tivesse acordado de um transe. Dei um passo para trás, a raiva queimando meu rosto.
— Não ouse me tocar de novo! — gritei, tentando manter o pouco controle que ainda me restava. — Vai embora!
Estávamos ambos ofegantes, mas por motivos completamente diferentes. Eu de pura frustração, ele… bem, o jeito como os olhos dele me devoravam não deixava dúvidas. Era desejo. Pela primeira vez, eu vi desejo ali. E eu odeio admitir que parte de mim ficou feliz.
Alexander se recompôs, ou pelo menos tentou. Não se aproximou, mas também não desviou o olhar. Ficamos assim, parados, respirando pesadamente, enquanto a tensão pulsava entre nós, quase tangível.
É frustrante perceber que, mesmo depois de três anos, eu ainda não consigo decifrá-lo. O homem que todas as mulheres desejam estava aqui, na minha casa, e o que eu sentia? Irritação. Muito, muita irritação. Ele finalmente começou a se mover, caminhando em direção à porta. Sério? Depois de tudo, ele simplesmente iria embora? O homem é uma contradição ambulante!
Ele segurou a maçaneta, e de costas, sua voz veio baixa, mas afiada:
— Ligue o seu telefone. E nem pense em ver outro homem de novo. Porque se isso acontecer… — ele virou a cabeça de leve, como se ponderasse sobre suas palavras — … eu prometo que você não vai gostar.
Assim que ele saiu, deixei o ar sair dos meus pulmões como se tivesse prendido a respiração por horas. Finalmente, silêncio. O secador ainda zumbia no ar, soprando inutilmente, exatamente como eu me sentia por dentro. Desliguei-o e desabei no sofá, uma sensação mista de alívio e exaustão tomando conta.
Eu podia fingir que estava calma antes, mas a verdade era que Alexander mexia comigo de um jeito que eu odiava admitir. E agora que ele se foi, fiquei encarando a porta, meio esperando que ele voltasse, meio torcendo para que não.
Algum tempo depois, meus olhos pousaram no casaco que ele esqueceu no sofá. Um casaco de inverno absurdamente caro, é claro. Acariciei o tecido, sentindo o perfume dele ainda impregnado ali. Aquele cheiro… fazia tanto tempo que eu não sentia.
— Que escória — murmurei, jogando o casaco longe com um pouco mais de força do que o necessário.
Mas a verdade é que tudo o que eu conseguia pensar naquele momento era que precisava de outro banho. Urgente. Não queria vestígios dele em mim, nem o cheiro, nem o toque. Muito contraditório, eu sei.
Depois de sair do chuveiro, me forcei a ligar o telefone. Claro que o obedeci, como a boa e obediente esposa que ele fez questão de moldar ao longo dos anos. O problema é que, quando se trata de Alexander, desobedecer não é uma opção. Ele é perfeitamente capaz de me deixar sem nada, de me jogar na rua se quiser. E o pior de tudo? Eu sei que ele o faria, com um sorriso frio no rosto.
Minutos depois de ligar o telefone, ele vibrou. Ah, ótimo! Finalmente, alguém me ligando para arruinar o resto da minha noite. Mas, para minha surpresa, não era Alexander ou sua assistente robótica. Era minha avó. De novo.
Revirei os olhos, deixando escapar um suspiro exasperado. A mulher já tinha me ligado há poucos dias. Ver o nome dela na tela duas vezes no mesmo mês era quase uma anomalia. Eu não sabia se era azar ou destino cruel.
Desde que saí da casa de Alexander, minha avó se dedicou à arte de me deserdar emocionalmente. Tudo porque, claro, ela adorava meu marido. Quem liga se ele me causava dor e sofrimento? No seu manual retrógrado, a esposa perfeita aguentava calada. E eu? Eu fui a “rebelde ingrata”.

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