Fiquei no escritório dele por um tempo, sem fazer nada além de jogar no celular ou fazer comentários aleatórios para lembrá-lo de que sua esposa ainda existia e esperava algum tipo de atenção. Mas quando finalmente perguntei:
— Então… você já aceitou o Nadir como cunhado? Porque, sinceramente, você não fez nada a respeito do noivado dele com Lily. Isso é bem incomum da sua parte.
Alexander ficou tenso. Como se eu tivesse cutucado um nervo exposto.
Ele fechou o laptop devagar, cruzou os dedos sobre a mesa e me lançou um olhar avaliativo antes de responder:
— Se eu realmente tivesse feito algo, você ficaria chateada?
Arqueei uma sobrancelha, desconfiada.
— Você está tentando inverter minha pergunta. Só me responda de uma vez. Nada do que você fizer vai me surpreender.
— O noivado acabou.
Eu pisquei, tentando processar.
— O quê?
— Acabou. Eles só estão esperando uma boa oportunidade para anunciar para minha mãe. Você sabe como ela é. Não vai aceitar isso sem um escândalo.
Eu me inclinei para frente, analisando-o como se tentasse descobrir algum detalhe oculto naquela revelação absurda.
— E como isso é possível? Porque ultimamente o Nadir tem vindo aqui ainda mais do que antes. Se o noivado terminou, ele deveria estar fugindo e não participando de jantares com sua família.
Alexander manteve a expressão impassível.
— O noivado acabou. O resto não é da minha conta.
— Ah, por favor! — soltei uma risada sarcástica. — Você interferiu, não interferiu?
Ele não confirmou, mas também não negou.
— Se eu fiz algo ou não, pouco importa. Esse noivado nunca deveria ter acontecido para começo de conversa.
Balancei a cabeça, indignada.
— Você é cruel, Alexander. Você jogou sua irmã nesse noivado porque gostava do noivo e agora decidiu que não gosta mais, então quer apagar tudo como se fosse um erro de cálculo?
Ele me observou em silêncio por um instante. Então, com um suspiro, murmurou:
— Charlotte, você acha que eu quero algo menos do que o melhor para minha irmã?
Honestamente, eu não esperava que ele contra-atacasse.
Mas não recuei.
— Sim, eu acho que você não se importa com a Lily. Você fez exatamente o que seu pai fez conosco. E pior.
O olhar dele escureceu de um jeito que me fez desejar que minha boca tivesse um botão de desligar. Meu primeiro instinto foi fugir, porque, convenhamos, eu não sou a pessoa mais corajosa do mundo quando se trata de provocar Alexander Speredo.
Mas, para minha surpresa, ele apenas suspirou de novo e disse:
— Eu fiz o que achei que era o melhor. E falhei.
Aquelas palavras… me fizeram hesitar. Ele não era o tipo de homem que admitia falhas. Nem para mim.
— Você, de todas as pessoas, deveria entender isso — completou.
E, naquele momento, entendi. Então apenas assenti e não insisti mais.
Saí do escritório dele com a mente inquieta, pensando apenas em uma coisa:
Quando Lily bloqueou o caminho de Pedro hoje, ela estava tentando dizer que o noivado tinha acabado?
Se era esse o caso, então eu tinha sido injusta com ela.
Agora… sobre Alexander Speredo ser a criatura mais bonita do planeta Terra?
Bom, definitivamente não o tempo todo. Nem metade do tempo. Para ser bem honesta, nem um décimo do tempo.
Ele é um homem muito bonito, isso é um fato. Mas depois de conviver com alguém por tanto tempo, a visão se torna banal. Eu já não parava para admirar os traços dele com frequência.
Quer dizer, imagine que eu passasse os dias inteiros suspirando por Alexander como se ele fosse o sol e a lua da minha vida. Eu pareceria uma idiota! Tipo um peixe, abrindo e fechando a boca toda vez que ele passasse perto.
Mas nem sempre foi assim.
Quando eu era pequena — e por pequena, quero dizer uns cinco anos — achava os irmãos Speredo as crianças mais bonitas que já tinha visto. Mas Alexander se destacava.
Talvez fossem as bochechas coradas ou o cabelo castanho-claro que, na época, caía suavemente sobre a testa. Ou talvez fosse apenas minha inveja infantil de não ter um cabelo tão sedoso quanto o dele.

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