O celular dele parou de vibrar, e tudo o que sobrou foi um silêncio opressor. Ele respirava fundo, recostado no sofá, como se estivesse a um passo de apagar. Eu sabia que deveria manter a distância, que ele provavelmente merecia, mas… algo na palidez daquele rosto me fez largar tudo e correr para a cozinha.
Voltei com uma garrafa de água e me sentei ao lado dele no sofá, sacudindo seu ombro com delicadeza — que, claro, não teve o menor efeito.
— Alexander, você está bem? — perguntei, enchendo a palma da mão com água e borrifando no rosto dele, sem nem esperar que ele respondesse.
Ele abriu os olhos, com aquela expressão que dizia “pare de me molhar como um cachorro”. Franziu a testa.
— Estou bem. — Ele disse isso daquele jeito dele, meio frio, meio orgulhoso, como se fosse de ferro e qualquer preocupação fosse um insulto.
Claro que eu não estava convencida, então, ao invés de mais água, decidi enxugar o rosto dele com minha própria mão. Bem mais eficiente.
— Vai, bebe um pouco. — Encostei a boca da garrafa nele antes que tivesse chance de se recusar. Entre o susto e a água, acabou tomando dois goles.
Quando ele finalmente terminou e empurrou a garrafa de volta para mim, dei um sorriso meio irônico.
— Quer que eu chame ajuda? — perguntei, fechando a garrafa com calma. — Porque, olha, você desmaiou.
Ele suspirou, um som grave que parecia ecoar no peito dele, e respondeu com um sussurro impaciente:
— Charlotte… eu não desmaiei. Só encostei a cabeça no sofá.
Mas antes que eu pudesse protestar, Alexander passou os braços pela minha cintura e encostou a cabeça no meu peito, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Deitou sobre mim, se acomodando, e eu podia sentir o peso e o calor dele contra meu corpo.
— Só quero dormir. — A voz dele saiu rouca, cansada, como se tudo no mundo o tivesse exaurido. — Não me acorde. Não durmo há dois dias.
Senti meu corpo todo reagir. Respirei fundo e tentei manter a compostura enquanto o deixava dormir ali, sobre mim, preso no calor do meu abraço. A parte irônica é que eu ainda nutria esperanças de, quem sabe, convencê-lo a assinar o divórcio assim que acordasse. Talvez, no fundo, eu quisesse que ele percebesse o quão tóxico era para nós dois — que percebesse que merecíamos uma chance real de liberdade.
Mas Alexander… Alexander nunca jogava o jogo de maneira justa. Quando acordou, olhou para mim como se eu fosse seu troféu, um sorriso contido no rosto, como se soubesse de alguma coisa que eu ainda não havia descoberto.
— “Bom dia”, Charlotte. — ele murmurou, com aquela voz baixa e suave, antes de se afastar devagar, sem deixar de me observar como se esperasse alguma reação.
Eu juro que tentei manter a calma. A lembrança dele “se mudando” para o meu apartamento por semanas me atingiu como uma avalanche de más memórias. A última coisa que eu queria era repetir essa história de novo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!