Os dias em que Alexander descobriu sobre meus relacionamentos passados são, sem dúvida, exemplos claros de que, para ele, eu sempre fui uma fonte de frustração — e talvez, masoquismo disfarçado de amor. Falar sobre Samir foi uma lição de insensibilidade minha. Revelar Mattia? Ah, isso foi um desastre em várias camadas.
Lembro-me vividamente do dia em que mencionei Samir pela primeira vez. Alexander e eu estávamos sentados no telhado da casa dos meus pais, algo que parecia mais normal na minha cidade natal do que deveria enquanto devorava um saco de doces.
— Notei que tem um garoto andando próximo de casa com frequência — ele disse, casualmente, enquanto observava o horizonte. — Ele disse que se chama Samir.
Eu pausei por um momento, o suficiente para escolher o maior e mais bonito doce no saco antes de enfiá-lo na boca.
— Ah, ele é meu ex — respondi com a maior naturalidade do mundo.
E foi isso. Nenhuma consideração, nenhum pensamento sobre o impacto que essa revelação poderia ter. Enquanto Alexander provavelmente processava o fato, eu só conseguia pensar que deveria ter guardado os melhores doces para mim. Cruel? Talvez. Mas na época, Alexander era apenas meu primo sério e misterioso, alguém que parecia estar sempre presente, mas nunca exatamente próximo.
Já Mattia foi uma história completamente diferente. Eu estava em transição, vivendo em uma cidade que parecia estrangeira mesmo dentro do meu próprio país. Meu sotaque era motivo de olhares curiosos, e a paisagem urbana contrastava drasticamente com a simplicidade da minha cidade natal. Alexander, naquela época, era uma figura constante, mas eu nunca o vi como mais do que um parente tentando cumprir obrigações familiares.
Ele costumava me levar para explorar a cidade, apresentando-me aos lugares mais icônicos e me ajudando a me adaptar. Essas “visitas” eram marcadas por um Alexander que raramente sorria em fotos — e quando sorria, era porque eu tinha forçado. Na verdade, as poucas imagens que consegui dele foram tiradas às escondidas ou sob muita insistência. Mas naquele dia, sentado em um banco de jardim com seu café em mãos, algo mudou.
Eu estava revisando fotos tiradas com minha nova câmera. Diferente das fotos de celular que costumavam capturar seu rosto frio e sério, essas mostravam uma expressão que eu mal reconhecia: ele parecia… feliz. Feliz de verdade. Era um sorriso contido, mas genuíno. Meu coração quase pulou uma batida.
Sem pensar, me levantei, posicionando a câmera para enquadrá-lo. Ele ergueu uma sobrancelha, confuso.
— O que você está fazendo? — ele perguntou, finalmente, enquanto eu ajustava a lente.
— Quero tirar uma foto sua sorrindo — respondi, a voz carregada de determinação. — Não é qualquer foto, Alexander. Se eu perder essa câmera e um profissional acabar analisando essas imagens, quero que eles entendam meu talento excepcional e não achem que estou fotografando um robô.
Ele riu, e eu aproveitei o momento para capturar aquele raro sorriso.
— Por que isso aconteceria? — ele provocou, ainda rindo.
Clique. Mais uma foto.
— A vida é imprevisível, querido primo. — Sorri, colocando mais drama na minha voz do que necessário. — Um ano atrás, eu estava considerando abandonar a escola para me casar com um velho rico e gordinho. Agora estou aqui, na faculdade, tirando fotos de você.
— Por que você se casaria com um velho gordinho? — ele perguntou, rindo mais alto.
Clique. Mais um sorriso capturado.
— Rico — corrigi, segurando o riso. — Ele era rico.
Alexander balançou a cabeça, um sorriso ainda estampado no rosto.
— E um rico jovem não serve?
— Claro que não! — retruquei, indignada. — Ele viveria muito tempo. O plano era ficar viúva jovem e rica.
Ele riu de novo, e eu continuei clicando, meu coração acelerado com a rara leveza do momento. No entanto, o clima mudou quando meu celular começou a vibrar no bolso. Eu soube imediatamente quem era, e um sorriso bobo se espalhou pelo meu rosto.
— Só um minuto! — murmurei, me afastando alguns passos para atender.
Era Mattia. Naquela época, eu estava tão cega pela ideia de um romance perfeito que mal me dei conta de como agir daquele jeito na frente de Alexander podia parecer insensível. Mas, para mim, ele era apenas meu primo sério, alguém com quem eu dividia passeios e conversas ocasionais.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!