ROSÁLIA DUARTE
O amor é uma coisa engraçada. E quando digo "engraçada", quero dizer naquela categoria de coisas que variam entre "absolutamente aterrorizante" e "comercial de margarina com filtro do I*******m".
Eu estava sentada em uma das cadeiras de madeira branca estrategicamente posicionadas na borda da pista de dança improvisada sobre a grama. Na minha mão direita, girava preguiçosamente uma taça alta contendo um coquetel degradê de laranja e rosa (uma invenção do barman que ele chamou de "Pôr do Sol em Napa") e que tinha gosto de frutas cítricas e más decisões, exatamente o meu tipo de bebida.
Meus olhos, no entanto, estavam fixos no centro do palco.
Cristina e Ethan.
Eles estavam dançando. A cabeça dela estava apoiada no ombro dele, os olhos fechados, uma expressão de paz que eu não via no rosto da minha melhor amiga há anos. A mão de Ethan estava espalmada nas costas dela, segurando-a.
Suspirei, tomando um gole generoso do meu drink.
Eu estava feliz. Deus sabe que eu estava. Ver a Cris sair do inferno que foi sua vida com Heitor, para chegar aqui, neste vinhedo dourado na Califórnia, era o final feliz que eu exigia do universo.
Apertei o tecido do meu vestido verde-sálvia, sentindo a brisa fresca da noite começar a cair sobre o vale. Dante estava com a babá, em segurança na casa de hóspedes, o que significava que eu estava oficialmente de folga das minhas funções de madrinha/babá honorária. Eu estava livre.
E sozinha.
— Este lugar está ocupado? — Uma voz masculina, grave e aveludada, interrompeu meu monólogo interno de autopiedade sarcástica.
Não me virei imediatamente. Continuei olhando para os noivos, fingindo muito interesse na valsa lenta.
— Depende — respondi, girando o gelo no meu copo. — Se você for um daqueles primos distantes que quer perguntar se eu sou a próxima ou se o buffet já vai servir o jantar, então sim, está ocupadíssimo. Pelo Espírito Santo.
Ouvi uma risada baixa. Um som que me fez sentir um arrepio involuntário na nuca.
— Não sou primo. E não estou com fome de comida.
O intruso puxou a cadeira ao meu lado sem esperar permissão e se sentou.
Virei o rosto devagar, pronta para despachar o engraçadinho com meu melhor olhar fulminante. Mas as palavras morreram na minha garganta. Eu sabia quem ele era. Qualquer mulher com acesso à internet, revistas de arquitetura ou outdoors de moda masculina sabia quem ele era.
Celso Mirantes.
O CEO da CM Houses. E, nas horas vagas, o rosto e o corpo de campanhas de roupas, perfumes e relógios suíços.
— Celso Mirantes — ele se apresentou, estendendo sua mão grande em minha direção. — Amigo e sócio do noivo em alguns empreendimentos imobiliários.
Olhei para a mão dele, depois para o rosto. Ele tinha aquele tipo de beleza que irritava. Simetria perfeita, pele bronzeada como se o sol tivesse um caso de amor pessoal com ele, e um sorriso de canto de boca que dizia: "Eu sei que sou bonito, você sabe que sou bonito, vamos pular a parte do choque?".
Apertei a mão dele brevemente.
— Eu sei quem você é — falei, soltando a mão dele e voltando a olhar para a pista de dança, recusando-me a dar a ele a satisfação de parecer impressionada.
— E você é a madrinha.
— Rosália. Rosália Duarte, a melhor amiga da noiva.
Olhei para ele de soslaio, permitindo-me, pela primeira vez, fazer uma análise completa do sujeito.
E, uau.

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