Alice
A aula segue normalmente presto a atenção em tudo ,faço minhas anotaçoes a manhã passou rápido e já estou de saida Sara falou tanto na minha cabeça que disse que iria pensar sobre ir ao baile, respondi só para ela me dar paz ,no meio da aula senti alguns olhares do Caio não sei se foi coisa da minha cabeça.Sigo até o ponto de ônibus graças a Deus a volta sempre é mais tranquila .
Estou exausta mentalmente ,viver na casa dos meus tios não tem sido fácil ,sou grata pelo abrigo mas sinto o desprezo no modo de falar e no olhar ,me sinto um peso.Meu primeiro e último pensamento do dia é sempre o mesmo e oro para que consiga realizar o mais rápido possivel sair da favela sair da casa deles ,entro no ônibus com o pensamento da aula e os trabalhos que preciso entregar não posso pegar dp em nenhuma matéria.
Tem sido assim minha vida uma grande pressão psicilogogica ,tenho meu trabalho na lojinha de roupas da dona Eva ela é um amor trabalho meio periodo ,não ganho muito mais ja me ajuda com as minhas coisas, da faculdade chego no ponto final desço do ônibus correndo para não me atrasar,quando me aproximo da barreira algo estava estranho.
Biel, meu amigo de infância, veio correndo.
— Alice! Espera!
— O que foi? Ele olhou para os lados, inquieto.
— Disseram que tem gente te procurando.
— Gente… quem?
— Do Coroa.
Meu sangue gelou.
— Biel, eu não fiz nada!
— Eu sei. Mas eles não ligam pra isso.
Eu mal tive tempo de respirar. Dois homens armados surgiram atrás de mim.
— Alice Souza? — o mais alto perguntou.
Eu apenas assenti.
— Vai ter que vir com a gente.
O morro inteiro pareceu parar. Olhares surgiram das janelas, das portas, dos becos.
Eu tentei falar, mas a voz sumiu.
Senti as pernas fraquejarem.
— Eu… eu fiz alguma coisa?


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