Um grito áspero soou ao lado, e um jovem segurança se aproximou para barrá-la.
Embora fossem treinados para não julgar as pessoas pela aparência, as roupas de Marina eram muito simples. Os jeans desbotados de tantas lavagens por baixo da jaqueta desgastada não a faziam parecer, de forma alguma, uma cliente do clube.
Marina estremeceu instintivamente, e todo o seu corpo ficou tenso. Provavelmente, toda pessoa que já esteve na prisão desenvolve essa reação de estresse ao ver alguém de uniforme.
— Eu... eu... vim para a... entrevista... — ela gaguejou.
— Entrevista?
O segurança a mediu de cima a baixo. Ela pensou que ele a expulsaria dali, mas, para sua surpresa, ele virou o rosto para trás.
— Que bom, Wilma, tem uma candidata aqui!
Quando Marina ergueu os olhos, viu uma mulher na faixa dos quarenta anos, vestindo um vestido longo azul-celeste e sapatos de salto alto, que no momento repreendia uma jovem que choramingava sem parar.
Marina notou que havia a marca de cinco dedos vermelhos e nítidos no rosto da garota.
Ao ouvir a voz, Wilma instintivamente virou a cabeça.
Mas ela apenas lançou um olhar rápido para Marina e disparou: — Ela não é bonita o suficiente. Não serve.
Marina entendeu o que ela queria dizer e apressou-se em explicar: — Eu... eu vim para a vaga de faxineira.
Wilma virou-se instantaneamente para olhá-la de novo, com um tom de dúvida: — Você, tão jovem, querendo ser faxineira?
Marina precisava desesperadamente daquele emprego. Reunindo toda a sua coragem, deu um passo à frente: — Sim, Wilma.
O olhar de Wilma desceu até a mala que Marina apertava firmemente em suas mãos... e num instante compreendeu a situação.
Wilma disse de forma indiferente: — Eu sei que você precisa muito desse trabalho. Mas num lugar como o nosso, até para faxineira, nós contratamos as bonitas.
O coração de Marina afundou. Ela estava prestes a dizer algo mais, quando viu os olhos de Wilma se iluminarem. Balançando os quadris, a mulher passou rapidamente por Marina em direção à entrada, com o rosto banhado num sorriso bajulador.
— Chefe! Que milagre o senhor ter tempo para vir inspecionar o trabalho hoje?
O segurança imediatamente puxou Marina para o lado e sussurrou: — Ouviu, né? Você não serve, vá embora logo!
O desespero invadiu seu peito num instante. O rosto de Marina ficou pálido, seu corpo perdeu as forças, e ela cambaleou, recuando dois passos.
— Sra. Medeiros, você não estava... cof cof, há três anos... o que faz aqui agora? — O Sr. Gabriel a analisou de cima a baixo, cheio de curiosidade.
Wilma apressou-se em dizer: — Chefe, ela veio tentar a vaga de faxineira.
— Faxineira?
O Sr. Gabriel sofreu outro choque. Quem diria que a outrora intocável esposa do herdeiro e CEO do Grupo Medeiros viria a um lugar como aquele para se candidatar a faxineira?
Marina já estava completamente entorpecida. Abaixou a cabeça e murmurou, sem qualquer energia: — Me desculpe a intromissão.
Ela se virou para ir embora, mas o Sr. Gabriel disse repentinamente: — Espere um minuto.
Tanto Wilma quanto Marina ficaram perplexas.
Marina virou-se de supetão: — O... o que foi...
O Sr. Gabriel enfiou as mãos nos bolsos da calça social, com os lábios curvados num sorriso prepotente. — Sra. Medeiros, eu posso lhe dar este emprego.

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