A primeira reação de Marina não foi de alegria imensa, mas de uma profunda apreensão: — Mas...
Ela hesitou, engolindo as próprias palavras.
Afinal, o Sr. Gabriel e Henrique eram inimigos no mundo dos negócios.
O Sr. Gabriel, no entanto, disse com um sorriso divertido: — Fique tranquila, Sra. Medeiros. Eu não tenho segundas intenções. Apenas pessoas sem teto procuram emprego carregando as próprias malas. Eu só quero te ajudar.
Mas Marina continuava sem acreditar. Ele seria tão bondoso assim...?
O Sr. Gabriel percebeu a hesitação dela e riu alto: — Se eu quisesse te usar, já teria ligado para ele agora mesmo! Por que eu insistiria em te manter aqui?
— Mas já disse o que tinha a dizer. Se vai ficar ou não, a decisão é sua!
Após dizer isso, o Sr. Gabriel foi embora.
Marina permaneceu paralisada no mesmo lugar por um longo tempo, observando as costas dele se afastarem, com o coração cheio de conflitos.
Uma hora depois, o Sr. Gabriel estava recostado na cadeira do seu escritório no clube, com as pernas cruzadas sobre a mesa, enviando uma mensagem para Wilma.
"E então, como ela está?"
"Chefe, ela decidiu ficar", Wilma respondeu.
Os cantos de seus lábios se ergueram novamente, e a diversão em seus olhos tornou-se ainda mais profunda.
Marina, a herdeira do Grupo Fontes e esposa do CEO do Grupo Medeiros. E pensar que ela jogou tudo isso para o alto para virar faxineira em seu clube...
Interessante. Isso seria muito interessante!
Ele realmente queria ver que tipo de espetáculo aconteceria mantendo Marina ali.
Marina tornou-se oficialmente uma faxineira do Clube Celeste.
Embora soubesse que o Sr. Gabriel e Henrique eram inimigos declarados, não tinha escolha. O mais importante agora era sobreviver, não queria morrer de fome ou de frio nas ruas.
Ela já havia se decidido: enquanto trabalhasse, precisava fazer outra coisa — investigar a verdade sobre a morte de Lívia há três anos e limpar o seu nome.
Quando sua inocência fosse provada, então ela poderia procurar um bom emprego! A partir daquele dia, viveria de cabeça erguida, sem precisar mais se esconder como um rato asqueroso no esgoto...
À noite, Marina estava agachada no pequeno e malcheiroso quarto de utilidades, abraçada a uma vassoura, com os olhos fechados para descansar.
Sem perceber, já havia passado um mês desde que saíra da prisão.
De repente, alguém se aproximou a passos largos e bateu na porta: — Marina! Vá rápido limpar a Sala VIP!
Marina não ousou demorar. Pegou imediatamente o esfregão, o balde e um pano de chão, e correu para a Sala VIP.
Ao abrir a porta, foi atingida por uma onda de calor, misturada com cheiro de álcool, fumaça de cigarro, o som ensurdecedor do karaokê e gritos de homens jogando. Marina quase vomitou ali mesmo.
Felizmente, conseguiu se conter. Em seguida, puxou a máscara um pouco mais para cima e começou a limpar com total concentração.

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