Não houve muito o que fazer na fábrica naquele dia, embora Henrico tentasse se envolver com os planos de substituir as máquinas. Ele estava realmente animado com a ideia genial de Antonela. As coisas pioraram bastante quando, no fim do expediente, seu celular foi amontoado com notificações, na maioria delas coisas horríveis faladas a seu respeito.
Antonela sabia que todas aquelas coisas, ou a maioria delas, eram falácias patéticas, mas o que as pessoas diziam a seu respeito na internet, na maioria das vezes, a deixava deprimida.
Ela ficou lá sentada, em frente à janela, vendo a luz da tarde se dissipar, enquanto seus sentimentos explodiam no peito sem que ela soubesse o que fazer.
— O que está acontecendo com você, Antonela? – a voz de Henrico ecoou ao seu lado, fazendo-a levar um enorme susto – achei que ficaria empolgada com o projeto.
Antonela se obrigou a levantar e resolveu não contar a ele suas preocupações. Henrico sempre sabia o que acontecia com ela, então não faria nenhuma diferença se ela contasse ou não.
— Eu já posso ir para casa? – a pergunta o pegou desprevenido e ali ele teve certeza de que Antonela não estava bem.
Demorou um pouco para respondê-la porque esperava que Antonela confiasse nele e contasse o que tanto a afligia, mas ela permaneceu calada, guardando tudo para si sem dar a ele nenhuma chance de ajudá-la.
— Você pode ir quando quiser – havia uma pontada de decepção na voz velha de Henrico. Ele ainda tinha esperança de que Antonela o perdoasse um dia.
Mas não seria naquele dia. Antonela foi embora quando a tarde foi se transformando em crepúsculo. Saiu pelas portas dos fundos e caminhou dois quarteirões para chegar à casa de Benjamim. Às vezes sentia saudades do velho Chevette de Dominique, de tê-la sempre ao seu lado para ajudá-la. Agora ela se via sozinha, morando com pessoas que pareciam querer a sua ruína e sem poder ver seu filho como Benjamim a havia prometido.
Quando Antonela entrou na casa, Benjamim estava sentado em uma poltrona de frente à porta, olhando para ela como se quisesse devorá-la. Ter um encontro com ele depois de tudo o que havia acontecido não estava nos seus planos. Já que ela não podia ver Adam, imaginou chegando em casa e se trancando no quarto para não ter que ver mais ninguém.
Benjamim sabia que não eram exatamente essas palavras que ele deveria dizer a ela. Eles deveriam discutir a possibilidade de tornar aquele casamento real, em arruinar os planos malignos de Carlota. Eles deveriam unir forças pelo bem de Adam, mas não era isso que eles estavam fazendo.
Benjamim nem sequer sabia como eliminaria o clima ruim que ele mesmo havia plantado entre eles.
— Por quê? – Antonela perguntou.
— Todos já sabem que o nosso casamento é uma farsa – sussurrou ele, imaginando que Carlota poderia estar por perto para ouvi-lo – precisamos reverter essa situação.

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