Liz
Chegamos à casa que era dos meus pais. A frente ainda continuava como antes. Geo pediu para seu namorado, Pedro, gerente do Belcasino, nos ajudar, e com isso ele chamou dois amigos para nos acompanhar.
_ Obrigada, Pedro. Não sei nem o que falar. Eu e a Geovana estávamos pensando em como íamos fazer para tirar aquelas duas daí — digo, agradecida por ele se oferecer para ajudar, quando fomos procurar dois seguranças particulares.
_ Imagina, acha que eu deixaria vocês correrem risco? Você é minha amiga, e ela é minha namorada — ele diz, se explicando.
_ Obrigada mesmo.
Desço do carro, olhando a rua tranquila. As lembranças boas e ruins aparecem como flashes. Fui feliz e muito triste nessa casa. Toco a campainha e ninguém aparece. Logo toco mais vezes, e a Cristiana sai. Ela olha para mim muito surpresa, sua arrogância estampada em sua face.
_ Quem você pensa que é para ficar incomodando minha mãe e eu? Não sabe? Seu pai não mora mais aqui. Agora quem mora aqui sou eu e minha mãe. O que aconteceu? Seu riquinho já enjoou de você e deu um pé na bunda, e agora quer voltar para casa? — ela ri, se divertindo ao me olhar.
_ Quem é a essa hora, Cristiana? — Serafina grita lá de dentro, curiosa.
_ A vadia da Liz! — ela grita.
_ O quê?! Manda essa infeliz embora. Diga que não damos esmola, não...
Ela me olha sorrindo.
_ Ouviu, né? Kkk... É melhor você ir embora — ela vai fechando a porta, e eu a impeço com o pé.
_ O que você pensa que está fazendo? Não escutou? Vai embora! Seu pai, aquele corno, não mora mais aqui!
_ E quem falou que vim atrás dele... — digo, olhando em seus olhos.
_ Então veio fazer o quê? Você não tem mais nada aqui, então vaza! — ela diz com ódio.
Rio dela. Coitada. Ela que não tinha nada e logo estaria na rua.
_ Por que está rindo? Está vendo alguma palhaça aqui? — ela pergunta, brava, quando sua mãe aparece.
_ Que merda... Sai daqui, sua puta! Não vê que está nos perturbando? Fora daqui, ou quer que eu faça um escândalo e chame a polícia?
_ Kkk, pode chamar. Quero mesmo que chame — digo, e elas me olham sem entender.
_ Vou dar meia hora para vocês pegarem tudo que é de vocês e caírem fora da minha casa. Caso contrário, vou jogar tudo na rua.
As duas me olham sem entender, como se eu estivesse louca.
_ Você está bêbada? Sair da sua casa? Essa casa é minha e da minha mãe! — ela grita para mim.
Então a Geovana, com o namorado e os seguranças, saem do carro.
_ Precisa de ajuda? — Pedro pergunta, se aproximando com dois homens bombados.
As duas olham uma para a outra com medo.
_ Contratou esses homens para nos expulsar? Acha que vai conseguir? Vou chamar a polícia!
_ Então chame! — digo, brava, querendo que ela fizesse isso mesmo.
_ Mãe, será que a casa é dela mesmo? — Cristiana pergunta.
_ Não tem como. A casa foi leiloada, e o comprador ainda não apareceu. Tenho certeza de que foi o senhor Leonardo Lopes. Ele jurou que não ia nos expulsar daqui. Prometeu te dar a casa quando você ficou com ele, não lembra?
_ Nem quero lembrar daquele velho asqueroso. Nojo! — ela faz uma careta.
_ Se continuar insistindo, vou ligar para alguém muito poderoso — ela diz, me ameaçando.
Olho para eles, esperando que falem algo.
_ Senhora Serafina? Então, meu nome é Pedro. Realmente, a dona dessa casa é a senhora Liz. Ela está com todos os documentos em mãos. Acho melhor a senhora e sua filha saírem numa boa. Se continuarem resistindo, vamos entrar e jogar todas as suas coisas para fora.
_ Vocês não podem fazer isso! — ela diz, brava.
_ Ela pode. Como vai ser? A senhora não vai sair por bem? — ele pergunta, enquanto os seguranças se aproximam, com as mãos nas armas, ameaçando.
_ Liz, você não pode nos expulsar assim. Moramos há muito tempo aqui. Pelo menos nos dê três dias. Juro que saímos — ela começa a implorar.

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