Caminho de um lado para o outro. Precisava ter notícias do vovô. Depois que ele entrou na sala de emergência, só vi correria. Toda vez que alguém passava, eu tentava descobrir alguma coisa.
— Oi, como está meu avô? — pergunto a uma enfermeira que passa carregando alguns equipamentos.
Ela para e me olha.
— Boa noite, senhor Bellucci. Desculpe, mas realmente eu não sei. Só o doutor Bernem poderá informar.
— Entendo — digo, deixando que ela siga.
— Filho...
Minha mãe chega ao meu encontro. Seus olhos estavam vermelhos; ela devia ter chorado muito. E eu sabia exatamente o motivo.
— Oi, mamma.
Ela para na minha frente e me olha com tristeza. Doía vê-la daquele jeito.
— Bryan, por favor... perdoe seu pai e seu irmão. Perdoe eles, filho. Eles estão arrependidos.
— Mamma, a senhora sabe o que eles fizeram. Sabe que eu quase morri. E por causa deles, eu jamais poderei ser pai.
Ela me encara por alguns segundos. Seus olhos se enchem de lágrimas antes que ela me abrace forte.
— Filho, me perdoe... a culpa foi minha. Eu sou culpada por tudo. Se quiser me matar, eu aceito. Aceito morrer no lugar dos dois.
Ver minha mãe implorando por eles me deixava com raiva. Porque ela não tinha culpa de nada. Mas o amor dela pela família era tão grande que preferia entregar a própria vida para salvá-los.
— Mamma... vamos esperar o vovô acordar, tudo bem?
Ela concorda e permanece ao meu lado. As horas passam lentamente. Minha avó também estava ali, levantando a todo instante para pedir notícias dele.
Depois de quatro horas de tortura, o doutor sai da sala e vem em nossa direção.
— Então, doutor? Como está meu avô?
Ele respira fundo, cansado.
— Ele chegou com uma parada cardíaca. Tivemos que reanimá-lo. Também foi necessário fazer uma cirurgia na cabeça, porque uma veia havia se rompido. O procedimento levou muitas horas, mas graças a Deus ele é forte. A vontade dele de viver é enorme.
Solto o ar preso em meus pulmões.
— Quando podemos visitá-lo, doutor?
— É melhor vocês irem descansar. Amanhã poderão vê-lo com calma.
— Tudo bem.
Olho para minha mãe e minha avó, chamando as duas para irmos para casa descansar.
No outro dia, acordo com meu telefone tocando sem parar. Quando vejo, era Kleber.
— Oi, pode falar.
— Chefe, descobrimos por que a garota está indo naquela médica.
Meu coração acelera.
— Então diga logo, Kleber.
— Ela está grávida.

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