Liz
Caminho de um lado para o outro. A loja estava bombando desde o dia que abrimos. Havia esvaziado nosso estoque e tivemos que repor tudo de novo, além de contratar mais três funcionárias para ajudar as meninas. Eu e a Geovana não tínhamos como ficar presas lá, então a Amanda saiu do trabalho dela e está como gerente. Geovana entrou em um curso de finanças e está cuidando dessa parte, enquanto eu vivo atrás de fornecedores, tentando ao máximo abaixar os preços para que todos tenham acesso a coisas boas com baixo preço.
— Liz, sente-se. Você não deve ficar muito tempo em pé. Estou te observando o dia todo pra lá e pra cá. Alguma preocupação? — Geovana pergunta, se aproximando de mim.
— Ge, um fornecedor acabou de falar que não tem mais aquelas peças. Preciso encontrar outro o mais rápido possível. Não quero deixar nossos clientes sem.
— Eu sei, mas sente-se — ela fala, puxando a poltrona e mandando eu me sentar.
Obedeço e me sento, relaxando. Estávamos no escritório, na parte de cima da loja, onde ficava o estoque, e conseguimos fazer também um pequeno escritório. Desde que abrimos a loja, não tive tempo nem de respirar. Foi uma correria. E amanhã ainda tenho que pegar os exames e mostrar para a médica.
— Não estou doente não kkk — digo rindo para ela, que se senta ao meu lado.
— Mesmo assim, você está carregando três crianças.
Quando ela fala isso, coloco a mão em sua boca.
— Amiga, não diga isso! Alguém pode ouvir. Sabe o perigo que vai ser se alguém descobrir isso? — digo preocupada. Essa era uma das minhas maiores preocupações também: esconder essa gravidez.
— Liz, sabe que uma hora ou outra sua barriga vai crescer, não tem como esconder. Mas você acha que ele lá na Itália vai saber?
— Não sei, mas eles não são pessoas normais. Não é qualquer pessoa. Eles têm homens em todos os lugares. O Bryan é alguém poderoso, seu posto é alto, e não permitiriam que eu tenha essas crianças. Amiga, não quero ser obrigada a tirá-los — digo com os olhos cheios de lágrimas. — Eles são meus, são meus bebês.
Ela vem e me abraça, me consolando.
— Eu sei, vai ficar tudo bem. Vamos manter em segredo. E, se for preciso, você sai da cidade e vai para outro lugar, pelo menos para fazer o pré-natal certinho enquanto trabalhamos aqui. Sabe que somos uma família. O que precisar, pode contar comigo — ela me diz.
Choro de emoção. Ter a Geovana comigo sempre me deu forças para viver. Ela sempre me ajudou na escola, a mãe dela mandava lanches, eu ia almoçar em sua casa às vezes, e isso foi algo que me deu forças para superar tudo.
— Obrigada por estar sempre ao meu lado. Sabe que você é minha irmã de consideração.
Ela balança a cabeça feliz, porque pensava o mesmo de mim.
O dia passou muito rápido. Já estava em casa, nas cobertas, mexendo no celular. Olho as notícias. Isso virou uma rotina: olhar para saber como ele estava, se já tinha se casado, se ainda estava na Itália. Mas não encontrava nada sobre eles, sobre sua família. Mesmo pesquisando sobre ele, nada demais. Talvez ele não quisesse expor sua vida, como sempre fez. Ele sempre falava que não gostava de aparecer em fofocas.
Fecho meus olhos e tento dormir. A noite passa e acordo com algumas dores na perna. Imagino que era reflexo de ontem, havia ficado em pé o dia todo. Mesmo assim, me levanto e me arrumo. Visto um vestido longo preto básico e coloco um casaquinho, já que ainda estava frio. Penteio meus cabelos, passo uma leve maquiagem e me olho no espelho pronta para ir. Pego minha bolsa e vou ao médico.
— Bom dia, senhora Liz? — a menina da recepção diz quando entro.
— Bom dia! — digo sorrindo.
— A doutora Paula já chegou e já está com seus exames. Já já ela te chama, pode se sentar ali — ela diz, apontando para a poltrona.
Me sento e aguardo. Logo ela me chama.

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