Bryan
Olho a Liz dormindo ao meu lado, parecia até um sonho. Ontem mesmo estava na Itália, e o Henrique conseguiu preparar o jatinho muito rápido. Quando pousei, vim direto para cá. Havia deixado meus homens avisados que precisava da chave da casa da Liz. Sabia que ela não me receberia muito bem. Também não tinha ideia de como lidar com ela. Só queria vê-la e abraçá-la, mas a sua reação foi inesperada.
Ela era pequena, mas brava. Nunca vi uma mulher tão brava como ela, com essa coragem de falar tantas coisas para mim, mesmo sabendo com quem falava.
Quando a vi nervosa, fiquei preocupado com as crianças. Talvez ela estivesse com medo que eu soubesse, ou talvez quisesse se livrar deles, já que me despreza, mas isso eu não permitiria. Eles eram meus filhos e seriam meus únicos filhos, já que não poderei ter nenhum outro.
Aproveito e me levanto, passo algumas mensagens e peço para o Kleber arrumar algumas roupas. Quando ele chega, me entrega e fala que devemos encontrar o senhor Leonardo Lopes, prefeito da cidade. Peço que confirme e deixe tudo certo. Depois do café, iria encontrá-lo.
Monto a mesa e, quando estou fritando os ovos, sinto alguém me olhando. Era ela. Estava parada por um bom tempo me observando. Havia tantos dias longe dela. Seu perfume a denunciava, aquele cheiro doce sem ser enjoativo, pois era suave e se misturava ao cheiro da sua própria pele.
Liz conseguia ser a mulher mais cheirosa que já conheci em toda minha vida.
— Bom dia! Venha, sente-se. Já fiz o café — digo, me virando para ela. Nossos olhos se encontram e ela tenta disfarçar a timidez.
Ela vem e se senta sem uma palavra. Então pego uma xícara e sirvo café com leite, já que ela gostava assim. Nunca a vi tomando café puro.
Sento ao lado dela e me sirvo também.
Vejo ela comer com tanta fome que até imagino que deveria estar faminta. Observo-a sem parar, mas então ela me olha desconfortável, não gostando muito por eu não tirar os olhos dela.
— Bryan, o que faz aqui? — ela pergunta sem rodeios.
— Já falei, estava com saudades de você. Cheguei e vim direto te ver — digo sincero. Estava morrendo de saudades dela. Não via a hora de poder estar de volta ao Brasil, mas aconteceram tantas coisas. Quase morri por um descuido da minha parte, então tive que mudar meus planos.
— Mas a gente terminou, esqueceu? Você deixou o contrato encerrando tudo. Assinei o seu e trouxe o meu comigo, ou você não lembra?
Ela fala do contrato e sorrio, lembrando daquele papel que havia mandado fazer antes de conhecê-la direito.
— Sim, entreguei aquele contrato, mas nunca disse que não queria mais você, garota.
Digo, e ela me olha brava.
— Você acha que vou continuar sendo a outra? Acha que vou ser sua amante? Isso nunca!
Ela estava brava, mas eu não podia dizer a verdade. Falar que vim para ficar com ela e com nossos filhos, porque meu avô aceitou eles, mas ela ainda não. Ele acha que eu ainda tenho que me casar com alguém da máfia, mas que, pelas crianças, posso me casar com ela até elas nascerem.
— Quem decide o que você vai ser sou eu, Liz. Você é minha, entendeu? E é melhor entender de uma vez por todas que é minha.
Acabo dizendo essas palavras mesmo sabendo que a machucavam. Preciso pensar em como fazê-la entender que o melhor será ficar comigo.
— Vai se ferrar, Bryan! Não sou de ninguém. Não sou um objeto ou algo que você vem e usa como quiser, entendeu? — ela diz brava para mim, e eu sabia que, se alguém da máfia a ouvisse falando assim comigo, seria caso de morte. Mas eu não me importava. Ela era a única que poderia ter essa liberdade de falar o que gosta e o que não gosta na minha cara. É isso que eu gostava nela.
— Calma, não precisa se agitar. Termine seu café. Preciso dar uma saída para resolver algumas coisas. Vamos almoçar juntos, tá? — digo, me levantando e pegando meu copo, colocando na pia.
Caminho até ela e me abaixo, beijando sua testa.

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