Bryan
Como tudo estava indo bem, a assembleia foi marcada para hoje. Liz ainda dormia e estava na casa dos meus avós, por eu me sentir mais seguro deixando-a lá. Escolhi um dos melhores homens para fazer a sua segurança. Vovó e minha mãe falaram que pretendiam ir às lojas comprar algumas coisas para os bebês, então me senti muito mais aliviado em sair e deixá-la.
Henrique me passou tudo sobre como as coisas estavam por lá. Kleber ficou cuidando dos assuntos da máfia, e Enzo já havia lidado com algumas questões, informando sua chegada ontem aqui.
— Filho, devemos ir. Não se preocupe, os nossos melhores homens estão com elas. Liz ficará bem com as crianças — meu avô diz, me deixando mais calmo.
— Vamos, já estou pronto. Alguns já informaram que estão chegando à sede.
— Que bom, então — meu avô diz.
Caminho ao lado do homem que um dia foi o mais temido do mundo. Quando os homens nos veem, nos cumprimentam abaixando a cabeça com respeito. Ajudo o vovô a entrar no carro e entro também. Logo seguimos viagem.
Quando chegamos à sede, em um dos lugares mais chiques que havia aqui na Itália, em um dos hotéis localizados no centro, meus homens param e fazem uma fila dos dois lados para que eu e meu avô possamos entrar.
Quando entramos, somos recebidos por membros de vários lugares do mundo, os capos de diversas máfias. Aquilo era como uma seita, onde o mundo todo se matava para entrar e ser aceito lá dentro. Todos nos olham, uns com admiração, outros com desejo de estar em meu lugar, já que logo serei o homem que comandará tudo no lugar do vovô, onde até pai tenta matar o próprio filho para assumir.
— Que prazer poder participar desta assembleia — diz o senhor Conte, se aproximando.
— Como vai, senhor Conte? — digo, cumprimentando-o.
— Vou bem, senhor Bellucci. Espero que também — ele diz em um tom de zombaria, já que, pelo fato de eu ser estéril, eles acreditavam que o vovô não me aceitaria ali.
— Com certeza — digo com um sorriso cínico.
Enzo vem nos cumprimentar, depois os senhores Getúlio, que me olham curiosos. Os Pontal ainda não haviam chegado.
O senhor Fidelis se aproxima e aperta minha mão e a do meu avô, nos cumprimentando, já que nós dois já havíamos fechado negócios lá no Brasil e éramos aliados.
— Que bom que o senhor veio, senhor Fidelis — digo, e ele sorri.
— Obrigado pelo convite. É uma honra me aliar aos Bellucci — ele diz, cortando os sorrisos do senhor Conte, que estava ao meu lado e sabia muito bem quem era o senhor Fidelis, um dos homens mais temidos da máfia também, com um legado forte e indestrutível.
Todos vão chegando e se acomodando no grande salão. As garçonetes começam a servir bebidas e petiscos para todos, mas a reunião era só para homens. Apenas homens da máfia eram aceitos ali.
Fabrício Alencar também vem nos cumprimentar. Meu avô sorria vendo o quanto conquistei nesses tempos, com mais da metade ao meu favor e me apoiando. Mesmo que quisesse, ele não conseguiria me derrubar lá dentro, mas nunca foi isso que eu quis. Sempre respeitei sua palavra e sempre levei ao pé da letra tudo o que ele me ordenava.
Logo também Nathan Brito vem nos cumprimentar. Praticamente todos haviam chegado. Meu avô caminha entre todos e sobe ao palco, pegando o microfone de um dos funcionários.
— Sejam bem-vindos, senhores. Quero agradecer a presença de todos. Hoje, como todos já sabem, é o dia em que me aposento e passarei o legado para o meu sucessor.
Todos escutam com atenção. Logo o senhor Pontal entra e sorri para meu avô. Então ele continua falando, conta sobre sua trajetória, todas as coisas que já fez, sobre suas vitórias e também sobre suas derrotas.
— Agora vou chamar uma pessoa aqui! — ele diz.
Todos olham para o homem que entra no salão. Brendo entra com um olhar mortal, caminhando como se fosse ele quem assumiria o comando. Ele entra confiante como nunca, e sinto até pena do meu irmão.
— Como começam sem a minha presença? — ele diz irritado, olhando para o vovô.
— Porque você não é importante — Enzo diz, rindo dele.
— Cala a boca! Quem você pensa que é?
— Sou Enzo Vincenzo, ou já esqueceu que assumi a máfia do meu pai? — Enzo provoca.
Não gosto da interrupção. Meu avô estava parado sem terminar por causa deles.


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