Bryan
Quando a enfermeira me entrega a Aline em meus braços, eu sinto medo. Medo de não saber fazer isso, medo de machucá-la. Ela era tão pequena, tão forte, lutando pela sua vida, que já havia começado de forma tão difícil.
A enfermeira a coloca encaixada em meu peito, me ensina a segurá-la, e eu a seguro com todo cuidado. Eu, que sempre fui temido e conhecido por ser tão brutamontes, estava ali segurando a Aline com tanto cuidado, como se tivesse medo de quebrá-la.
Minha princesinha...
Olho para ela com tanto amor. Agora eu sabia o que é amar, o que é ter um filho em seu colo. Essa coisinha tão pequenininha podia me deixar de joelhos. Eu me sentia fraco em saber que não tinha o controle de tudo. Depois que os três vieram, descobri o que é de verdade sentir medo. Medo de perder, medo de não poder fazer nada.
Toco em seu cabelinho. Mesmo com tão pouquinho, ela já tinha alguns fios lisinhos, da cor do cabelo de sua mãe. Com certeza seria muito parecida com ela. Tinha certeza de que seria linda igual à mãe.
— Minha princesinha, como o papai ama você... — digo baixinho para ela.
Vejo, na outra poltrona, Liz segurando o Alex em seu colo. Ele estava aconchegado nela. Ela o admirava, tocava em sua mãozinha. Só faltava a Alice ali para eu ser o homem mais feliz do mundo.
Logo a enfermeira vem e troca os bebês. Eles reclamam quando são tirados de nós, mas logo se aconchegam novamente.
Alex estava gordinho perto de sua irmã.
— Vejo que você andou comendo tudo sozinho, né, garotão? — digo, fazendo carinho nele, que se esticava em meus braços. Ele era carequinha, e nessa parte suas irmãs devem ter pegado todos os cabelos. Penso sorrindo com ele em meus braços. Poderia ficar ali com ele no colo para sempre. Aquela sensação era muito boa.
A enfermeira começa a tirá-los, dizendo que eles precisavam voltar para a incubadora. Vejo o rostinho da Liz já triste, mas logo ela fica feliz ao ouvir que vamos visitar a Alice.
Saímos do quarto, nos despedimos dos dois e entramos no outro. O barulho dos aparelhos ligados dava aquela sensação de estar em um lugar onde só ficam aqueles que estão muito mal. Mas, ao ver a incubadora com ela ali, meu coração se aquieta.
Ela estava dormindo. Mesmo com tantos aparelhos, dormia tranquilamente.
Ela já era uma guerreira por ser tão pequenininha e ter passado por duas cirurgias. Como era forte o meu tesourinho.
Vejo os olhos da Liz se encherem de lágrimas e me aproximo dela, segurando sua mão.
— Amor, ela é nossa guerreira. Ela é mais forte do que nós dois juntos. Acredite que logo ela e seus irmãos estarão em casa.
Ela me olha e tenta sorrir. Parecia querer acreditar mesmo em minhas palavras. Queria acreditar que logo eles estariam em casa, porque eu também queria.
— Minha princesa, mamãe ama tanto você. Não vejo a hora de poder pegá-la também, minha princesa... — ela diz baixinho para ela.
Até parecia que a Alice havia ouvido. Ela mexe seus dedinhos e Liz me olha surpresa.
— Será que ela reconheceu minha voz? — ela pergunta.

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