Alice estava abalada, pensando na garotinha e se sentindo extremamente culpada. A angústia que tomava conta do seu coração era enorme.
— Calma, filha. Ela deve estar bem. Na reunião, com certeza o doutor Leon estava presente e já deve tê-la atendido. — disse a senhora Naid, acariciando seus cabelos na tentativa de tranquilizá-la.
Mas as outras esposas do xeique olhavam para Alice como se ela fosse a culpada por tudo. Safira permanecia ao lado da mãe e de Amira, observando a cena.
— Se minha neta não ficar bem, você vai ver o que vai acontecer com você, sua estrangeira! Acha mesmo que aqui é igual ao lugar de onde você veio? — gritou Amira.
Alice permaneceu sentada, em silêncio. Tudo o que queria era que aquele pesadelo acabasse.
Enquanto isso, Zaid viu que sua sobrinha já estava fora de perigo e saiu imediatamente em direção ao jardim, onde as esposas e as convidadas ainda estavam reunidas.
Caminhava preocupado com Alice.
Ao chegar, viu várias mulheres ao redor dela, lançando-lhe olhares de reprovação. Seus olhos se encheram de fúria, e sua mandíbula se contraiu. Assim que perceberam sua presença, as mulheres se assustaram.
— O que faz por aqui, Zaid? — perguntou Amira.
Safira sorriu discretamente. Não podia perder nenhuma oportunidade de se aproximar dele.
— Vim buscar minha noiva. — respondeu friamente.
Suas palavras chamaram a atenção de todas. Principalmente porque eles não deveriam ficar tão próximos antes do casamento. Demonstrar intimidade entre um homem e sua futura esposa antes da cerimônia não era bem visto.
Sem dar importância aos olhares ou aos julgamentos, Zaid aproximou-se de sua mãe e de Alice.
— Olá, mãe. Como a senhora está?
— Estou bem, filho.
Naid preferiu não comentar o que havia acontecido. Naquele momento, sua preocupação era apenas Alice.
Zaid voltou o olhar para ela.
— Senhorita Bellucci, Bia está bem. Não se preocupe. Sabemos que a culpa não foi sua. Como poderia imaginar que ela tinha alergia àquele doce?
Alice sentiu um enorme alívio ao ouvir aquelas palavras. As lágrimas que segurava finalmente escorreram por seu rosto.
Todos ao redor ficaram surpresos com a atitude de Zaid. Ele sempre foi conhecido por ser frio, reservado e distante. Vê-lo demonstrando tanta preocupação com Alice fez muitos se perguntarem se, pela primeira vez, o príncipe havia se apaixonado por aquela estrangeira.
— Graças a Deus que ela está bem... — disse Alice, aliviada.
— Graças a Alá que minha neta está bem. Se não estivesse, nem quero pensar no que teria acontecido... — disse Amira, em um tom frio.
— Guarde suas palavras e seus julgamentos, senhora Amira, para explicar ao seu marido por que deixou passar uma informação tão importante: Bia tem alergia. Não foi a senhora quem ficou responsável pela organização?
Ela a encarou, assustada.
— Mas... como eu saberia que minha neta comeria? Não tenho culpa. A culpa é dessa estrangeira!
— A culpa é sua e da mãe dela, que deveria estar olhando a filha. Bom, esses assuntos a senhora explicará ao seu marido.
Todos olharam surpresos, já que a culpa havia recaído sobre Amira e a mãe da menina.
— Senhorita, preciso ir, mas acalme-se. Minha mãe cuidará de você. Pode ficar nos aposentos dela. Tenho certeza de que vocês duas se darão muito bem.
Zaid lançou-lhe um olhar tranquilo, tentando transmitir segurança.
— Descanse um pouco. Quando tudo isso passar, voltarei para vê-la.
Naid sorriu, confirmando com a cabeça para Alice.
— Obrigada — respondeu ela, ainda abatida e com o coração apertado por causa da menina.
Zaid percebeu sua tristeza, mas precisava voltar ao salão. Por mais que quisesse permanecer ali, tinha o dever de ficar ao lado dos convidados. Ele saiu e retornou ao salão, observando toda a movimentação.
— O que ocorreu hoje aqui ficará dentro deste palácio. Não quero ouvir ninguém comentando sobre o assunto envolvendo minha neta — disse Amyr, em tom firme.
Todos abaixaram a cabeça, concordando com suas ordens.
Zaid entrou e todos voltaram seus olhares para ele. Alguns o encaravam; outros demonstravam curiosidade para entender sua decisão de se casar com uma estrangeira.
— Devemos continuar nossos assuntos sobre a barragem que precisamos construir até o mês que vem — lembrou Amyr.
— Xeique, o orçamento apresentado para finalizar a obra... eu achei que... — começou um dos senhores, interrompendo a frase ao ver Zain entrar no salão. Como o príncipe era o responsável pelo projeto, Hamza sentiu um frio percorrer a espinha e temeu dizer qualquer coisa que pudesse contrariá-lo.

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