Zaid saiu, e Alice ficou naquele enorme apartamento. O único companheiro que tinha era seu celular. Ela olhou as notícias sobre as coisas que seu pai havia conseguido e sobre as lojas de sua mãe, já que o Mundo Ligi era mundialmente conhecido. Também conversou um pouco com suas amigas e terminou de contar tudo para Fernanda, que se irritou, xingando o príncipe e a fazendo rir.
Mas as horas foram passando. Zaid avisou que teve um contratempo e iria demorar mais um pouco. Então, ela resolveu se arrumar e sair para conhecer o lugar. Pelo menos aproveitaria para conhecer a cidade. Ela também já entendia e falava algumas coisas em árabe, o que facilitava muito.
Ela se arrumou. Ali o lenço não era obrigatório, então preferiu não usar. Queria poder caminhar por aí sem ficar toda escondida.
Alice vestiu um lindo vestido bege com desenhos coloridos, calçou uma sandália confortável, fez uma leve maquiagem e saiu daquele apartamento, caminhando pelas ruas e observando o centro da cidade de Doha. Começou a admirar tudo. Nem tinha percebido o quanto aquele lugar era lindo. Os prédios tinham formatos únicos, havia uma vista maravilhosa para o mar e a cidade era impecável, como se ali morassem apenas pessoas ricas. Ela continuou caminhando, lembrando que o prédio onde estava hospedada era um dos mais caros da região de Viva Bahriya, um luxuoso condomínio.
Ela passou por um restaurante árabe. A estrutura rústica chamou sua atenção. Alice estava com fome, então resolveu entrar. Logo na entrada, foi recebida por uma recepcionista muito elegante, usando um terno.
— Seja bem-vinda. Posso ajudá-la?
— Sim. Gostaria de uma mesa para uma pessoa. Pode ser em um lugar mais privativo, se possível? — disse Alice em árabe. Ela havia treinado muito e já estava falando muito bem.
— Ah, sim. Venha, pode me acompanhar, senhorita.
Alice a acompanhou até uma área mais reservada, com uma vista linda para o mar. Ela se surpreendeu com o lugar. Como não tinha o costume de viajar, agora sentia que deveria ter viajado mais e conhecido outros lugares, não apenas a Itália e o Brasil.
Logo o garçom trouxe o cardápio. Alice olhou e pediu algumas entradas típicas da culinária árabe. De onde estava, conseguia ver outros senhores que pareciam muito poderosos almoçando. Também havia duas mulheres com vestimentas árabes, mas sem véu. Elas eram lindas, perfeitas, pensou Alice, olhando para elas no meio daqueles homens que pareciam xeiques pelas roupas.
Mas, ao olhar melhor, seus olhos reconheceram Zaid sentado ao lado deles. Ela arregalou os olhos, espantada, perguntando-se o que ele fazia ali.
Logo seus pratos foram servidos. Alice começou a comer, mas seu olhar voltava a todo momento para Zaid. Ele conversava com os outros homens, mas, de vez em quando, olhava para a linda garota que estava à sua frente. Ela sorria para ele.
Alice não sabia exatamente o que sentia, mas aquilo a incomodava. Vê-lo tão perto de outra mulher... Claro que ela já deveria saber que ele provavelmente tinha outras mulheres por aí, mas levá-la para aquele país, deixá-la sozinha e sair com outras...
Ela se sentiu injustiçada. Ele achava que podia pisá-la e fazer o que quisesse com ela.
Alice se levantou confiante e caminhou até eles, aproximando-se até ficar à frente da mesa.
— Ah, então essa é a reunião do meu marido?
Zaid ouviu aquela voz familiar e levantou o olhar. Seus olhos encontraram os dela. Pela expressão de Alice, ele percebeu a raiva. Ela o encontrou ali e certamente estava pensando besteira.
— Querida, o que faz aqui? A reunião terminou rápido, e o príncipe Emyr me convidou para vir até aqui com seus dois primos, sua irmã e uma amiga dela — disse, apontando para eles.
As garotas a encaravam sem demonstrar simpatia. Já o príncipe Emyr sorria para Alice, olhando-a com admiração.
— Então essa é a filha do senhor Bellucci? Nossa, que prazer conhecê-la, senhorita Bellucci — disse ele, levantando-se e estendendo a mão para cumprimentá-la.
— Prazer em conhecê-lo, príncipe Emyr. Já ouvi falar muito do senhor — respondeu Alice com sinceridade.

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