Alice já estava no quarto, mas ainda estava apavorada com o xeique. Ele não parecia amar sua família e, ainda por cima, batia nelas. Depois de ter tomado banho, Alice se deita na cama. Zaid havia a trazido até ali e saído rapidamente para resolver algo.
Ela fica ali, deitada, olhando para o teto. As lembranças de como era pequena e de o quanto seus pais a mimaram vêm à sua mente. Também se lembra dos avós, quando ainda eram vivos. Do vovô Derik e de sua avó Carmelita... Como sentia falta deles.
Seus olhos se enchem de lágrimas. Alice queria poder mandar uma mensagem para sua mãe, pelo menos para ouvir sua voz, mas já era tarde na Itália. Ela não podia acordá-la.
Zaid entra, olhando para ela.
— Ainda acordada? — ele pergunta, aproximando-se dela.
Alice tenta disfarçar os olhos molhados, esfregando-os como se estivesse com muito sono, mas Zaid não era bobo e percebe na hora que ela havia chorado.
— Deseja conversar?
— Não é necessário. Pode ir tomar seu banho, eu estou bem — ela diz, virando-se e se cobrindo.
Ele a olha por um tempinho, pega suas roupas e vai tomar banho. Quando Zaid sai, vê Alice deitada do mesmo jeito, mas parecia ter adormecido. Em silêncio, ele se deita ao lado dela e a envolve com seu braço, puxando-a para si.
— Dormiu, Ali? — ele diz baixinho, depois de deixá-la coladinha nele.
— Ainda não — ela diz, com a voz baixa.
Ele sorri, cheirando seus cabelos e mantendo as mãos em volta de sua cintura.
— Me desculpe pelo que aconteceu hoje?
— Não foi sua culpa, Zaid. Só acho que sua família não é para mim. Vocês podem ter várias mulheres, podem espancá-las, coisa que para mim é um absurdo. E se eu fizer algo também que não goste, vai me punir? — ela pergunta.
Ele demora um pouco para responder, já que as palavras dela, dizendo que aquele lugar não era para ela, martelavam em sua cabeça.
— Nunca, Ali. Nunca bateria em você. Nunca levantaria a mão para você.
— Acha certa a punição do seu pai?
— Não. Por isso queria que ele se separasse dela. Ali, eu não sou ele. Você entendeu? Eu não sou igual ao meu pai.
Ela não responde. Simplesmente fecha os olhos, tentando dormir. Não queria mais conversar sobre isso, já que queria imaginar que Zaid era igual a eles, e isso lhe dava forças para quando eles se separassem.
Os dias passaram. Alice inaugurou a fábrica e logo começou a produzir os vestidos para o evento. Estava perto, seria dali a três dias. Zaid mal parava em casa, saindo para negócios e viajando para reuniões com clientes importantes. Era muito difícil para Alice vê-lo e, nos poucos momentos em que se encontravam, conversavam um pouco.
Ele sempre se preocupava em saber se ela estava bem, se estava estudando direitinho e se precisava de ajuda, já que entendia bastante de finanças e administração.
— Ainda não se arrumou, querida? — Naid pergunta, olhando para sua nora, ainda com os cabelos molhados.
— Acabei me atrasando. Um minutinho e já termino.
— Tá bom, mas seja rápida. Zaid já já estará aqui para nos buscar.
— Tá bom, vou ser rapidinho — Alice diz, secando os cabelos rapidamente e cobrindo-os com o lenço da mesma cor de seu vestido. Ela não via a hora de voltar para seu país e não ter que vestir aqueles tipos de roupas. Sentia muita falta das roupas e da liberdade que tinha lá.
— Nossa, realmente você foi rápida.
— Não falei? — Alice diz, pegando a bolsa e saindo com Naid.
Hoje, elas iam à fábrica, já que, durante todo aquele tempo, quem estava cuidando de tudo era Rafaela.
As duas saem e logo encontram o carro parado, esperando por elas. Naid reconhece o carro do filho e abre a porta para que as duas entrem.

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